Porto de Mariel pode levar a Odebrecht USA a perder US$ 80 bilhões em Miami

gilberto_neves_01Pela culatra – Apareceu a primeira vítima da aventura cubana do governo petista de Dilma Rousseff. Em longa matéria publicada no “The Miami Herald”, a jornalista Mimi Whitefield (Twitter @HeraldMimi) relata o atual vexame enfrentado pela empreiteira Odebrecht USA por causa da inexplicável aliança do grupo com a ditadura cubana dos irmãos Castro.

Em suma, a matéria é um lamento da perda do perfil “low profile” da companhia que tem ligações históricas com o anticastrismo. Foi o finado Jorge Mas Canosa — fundador da Cuban American National Foundation — quem introduziu e abriu as portas da Flórida para a Odebrecht desde agosto de 1990. Mostra também que o grupo agora enfrenta a fúria anticastrista, um lobby para lá de poderoso.

Mimi Whitefield comenta a perplexidade do presidente-executivo da Odebrecht USA, Gilberto Neves, que trabalha na companhia desde 1983, sem explicações sobre o desatino que levou a construtora a se aliar com os franco opositores dos Estados Unidos na América Latina — “It’s mind-boggling what’s going on in Brazil” (Isso leva a pensar sobre o que está acontecendo no Brasil), escreve a jornalista.

A Odebrecht USA tem sede na Flórida, em Coral Gables, com escritórios ainda em Houston e New Orleans. Já construiu muitas obras públicas em Miami, pontes em toda a Flórida, rodovias no Texas, na Califórnia, na Carolina do Sul, na Carolina do Norte, em New Orleans. Além de barragens e estações de tratamento de água.

Um box da matéria destaca a força da subsidiária Braskem America, líder na produção de polipropileno nos Estados Unidos, com 36 unidades industriais no país, Brasil e Alemanha.

Portfólio respeitável

Whitefield listou os projetos da Odebrecht em andamento na Flórida: terminal norte do Miami International Airport; reforma de um cais no Porto de Miami — obra que exigiu a transferência de 185 corais; pista sul no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood. O texto também afirma que a Odebrecht USA moldou a face de Miami e que é um nome presente nos canteiros de obras por todo o sul da Florida. Somente no estado da Florida, os contratos públicos abocanhados pela empresa já somam mais de US$ 4 bilhões, desde o primeiro projeto local, o Metromover (1991), que risca o skyline do centro da acolhedora e ensolarada Miami.

A matéria considera a empresa tão enraizada no sul da Florida, que muitos pensam que a Odebrecht é uma empresa local. Fora isso, o texto elogia esse design corporativo — baseado na subcontratação de empresas locais. Na Florida, por exemplo, o grupo compartilhou seu trabalho com mais de 300 pequenas empresas nos últimos 23 anos, distribuindo mais de US$ 800 milhões em subcontratos e gerando mais de 100 mil empregos diretos e indiretos.

miami_aeroporto_01

A Odebrecht USA é estimada por ser um contribuinte rigoroso e também por ajudar instituições de caridade, organizações culturais e escolas no condado de Miami-Dade. Como se vê, e está escrito na matéria, o Condado de Miami-Dade foi o pão (ou o feijão com arroz) da Odebrecht.

Na esteira desse histórico de sucesso nos domínios do Tio Sam, torna-se cada vez mais difícil compreender como uma empresa que venceu nos Estados Unidos resolveu perder-se em Cuba, palco de regime repressivo, destino inóspito em termos de negócios e reduto desprovido de segurança jurídica.

De Salvador para o mundo

De pequena empresa familiar, a Norberto Odebrecht, fundada na capital baiana em 1944, a Odebrecht tornou-se uma força global. É a 13ª maior empreiteira do planeta, com ativos estimados em US$ 59 bilhões 200 mil empregados, atuando em 25 países e cinco continentes; com investimentos que somam US$ 25 bilhões nos próximos três anos. Sem contar os diversificados interesses: petroquímica, açúcar, etanol e bioenergia, geração de energia, água e gás, engenharia ambiental, petróleo e gás, plásticos (desenvolveu uma técnica para fazer o plástico da cana de açúcar), transportes, logística, defesa e tecnologia.

A aliança do Grupo Odebrecht com Cuba colocou a Odebrecht USA na berlinda e já fez o grupo perder um projeto local desenhado pelo próprio grupo: a ampliação do aeroporto de Miami — projeto orçado em US$ 512 milhões, que incluía um avançado complexo empresarial, com restaurantes, lojas de varejo, escritório, hotel, central para convenções, posto de gasolina e uma nova estação de metrô.

A Odebrecht USA administraria esse complexo pelos próximos cinquenta anos. Estima-se que a receita anual com essa administração ficaria acima da cifra de US$ 1,6 bilhão. O contrato estava praticamente fechado, até circular notícia da aliança da matriz com a tirania cubana.

Este é o link do vídeo de apresentação do “Cidade Aeroporto”, projeto que será construído por US $512 milhões. Veja as imagens e compare com o preços das obras públicas no Brasil.

Parceiros indesejáveis

A Odebrecht USA ficou sem resposta por parte dos norte-americanos depois da assinatura de um acordo de dez anos com o governo cubano para, através da produção conjunta, revitalizar a indústria de açúcar na ilha caribenha. Esse contrato também deve mexer com os interesses dos usineiros de cana de açúcar e produtores de etanol no Brasil.

A lógica usada no ataque aos contratos da Odebrecht USA é simples. As empresas que fazem negócios com Cuba nada podem ganhar dos cubano-americanos no mercado livre da Florida.

No vale-tudo que apenas começou, Mario Claver-Carone, conhecido líder anticastrista, acusou a Odebrecht no Miami Herald de “seduzir” os funcionários públicos de Miami por mais de uma década para ganhar contratos.

Os legisladores estaduais da Florida chegaram a aprovar uma lei para atingir a Odebrecht USA, proibindo o estado da Florida de contratar empresas com negócios em Cuba. O braço ianque da Odebrecht conseguiu reverter a decisão estadual no Tribunal Federal em Miami, mas não se livrou do ranço. Pelo contrário, aumentou a reação.

Bernie Navarro, presidente da Latin Builders Association (LBA), mobilizou os 750 membros da associação contra a participação da Odebrecht USA no aeroporto de Miami, exortando a solidariedade ao povo cubano: “Gilberto [Neves] é um bom homem. Sabemos que a decisão de operar com Cuba não foi dele, mas ele trabalha para no grupo. Posso assegurar que o LBA não ajudará a Odebrecht em sua busca contínua pelo aeroporto da cidade. Não podemos permitir que a Odebrecht trafique com nosso sofrimento. Ou faz negócios aqui, ou pode fazer negócios em Cuba. É uma escolha. Não pode ficar nos dois lados.”

A Odebrecht USA tentou organizar um lançamento da joint venture para o aeroporto de Miami, mas a reunião foi esvaziada. A série de reportagens sobre a saga do capítulo ianque da Odebrecht tem três capítulos, sendo que os próximos serão publicados na quinta e sexta-feira (6 e 7).

Publicado por:  Ucho.info


A Unificação das Polícias Civil e Militar: Uma Visão Profissional

Polícia Militar 11Paulo Cezar Gomes Navega*

I – Considerações Preliminares

Com respaldo constitucional previsto no Artigo 5º, inciso IV, passamos a discorrer sobre este tema sabendo que a tese por nós defendida a seguir, é bastante polêmica e complexa, passível de críticas, de reprovações e de posições divergentes. Contudo, acreditamos que vamos contribuir para uma maior reflexão sobre a importância do assunto UNIFICAÇÃO DAS POLÍCIAS ESTADUAIS. Não pretendemos com este ensaio, manifestar posições corporativistas ou político-partidárias e muito menos intitular-mo-nos “donos da verdade”. Esta exposição é fruto de constantes pesquisas, de estudos e incansáveis debates com companheiros profissionais da área de Segurança Pública/Defesa Pública, além dos longos anos de experiência profissional.

II – Crise de Insegurança

Basta ocorrer crimes que atinjam diretamente pessoas importantes, consideradas das “elites”, isto é, as que de alguma forma possuem poder, seja ele político, financeiro ou mesmo oriundo da boa fama, para recomeçar a falácia sobre Segurança Pública. Sabemos que o descontrole da violência e da criminalidade, nos grandes centros urbanos, é uma realidade que está afetando o equilíbrio social, imprimindo crise de insegurança jamais ocorrida no Brasil: são latrocínios, furtos, roubos a bancos e a cargas, seqüestros de todas as modalidades, tráfico de armas e de entorpecentes, proliferação de gangues e quadrilhas, sendo destaque o crime organizado sob forma empresarial.

III – Demandas por maior Segurança

Os órgãos de Comunicação Social, dando eco aos anseios e às necessidades de segurança da população aterrorizada pela crise de insegurança, passaram a pressionar os órgãos policiais, os governantes e os nossos representantes político-partidários. As insistentes demandas por providências, conduziram alguns governantes e autoridades responsáveis pela política de Segurança Pública a buscarem uma solução imediata para a questão, como se existisse a possibilidade de reverter-se, num passo de mágica, um quadro crônico que levou décadas para se estabelecer, progredindo lentamente aos “olhos cegos” dos governantes e da própria sociedade. Elegeram os órgãos de segurança pública como os únicos responsáveis! Alardeiam alguns: “a polícia é ineficiente, despreparada, corrupta e violenta, motivos pelos quais defendemos o emprego das Forças Armadas, nas atividades de Segurança Pública/Defesa Pública”. Outros recomendam: “devemos extinguir a Polícia Militar, porque o órgão policial não deve ter estrutura administrativa centrada na hierarquia e na disciplina; o problema está na dualidade de polícias, sendo necessário unificá-las com urgência”. Basta de falácias! Desconhecemos estudos e pesquisas científicas que indiquem grande probabilidade dessas medidas darem certo. Já passou da hora de discutirmos e analisar a questão de forma séria, científica e responsável.

IV – A Unificação depende da Emenda Constitucional

Para efetivar-se a unificação das polícias estaduais, é necessário aprovar emenda constitucional. O tema é considerado bastante polêmico e complexo, motivos pelos quais os parlamentares federais hesitaram em colocar os projetos existentes em discussão e votação. Na ótica da grande maioria de nossos representantes não é prudente discutir a questão em ano eleitoral, pois independente do resultado, certamente irá desagradar parcela significativa do eleitorado. Daí, EURECA! Descobriram a “fórmula mágica” para dar uma resposta imediatista à sociedade: INTEGRAR AS POLÍCIAS CIVIL E MILITAR. O objetivo dos “policiólogos” de plantão é convencer a sociedade e até os próprios profissionais de segurança pública que, com a implementação de medidas meramente administrativas, podemos resolver satisfatoriamente, com eficácia, a questão do aumento da violência e da criminalidade no país.

V – Medidas Integradoras Traçadas Pelo Governo Federal

É com grande interesse e perplexidade que estamos observando e acompanhando as medidas simplistas desenvolvidas para efetivar a integração das polícias. Certamente, os órgãos de segurança pública podem e devem buscar soluções objetivando melhoria da prestação de serviços às comunidades, todavia, não é com total descaracterização dessas instituições que vamos alcançar o fim colimado. O Governo Federal está incentivando os governadores a implementar medidas de integração da Polícia Militar com Polícia Civil. A meta traçada pelo Ministério da Justiça diz respeito ao desenvolvimento de medidas integradoras na esfera administrativa superior e na orgânica-administrativa, abrangendo ainda integração uniforme dos setores operacionais, de formação e de aperfeiçoamento, bem como integração na área esportiva e sócio-cultural.

VI – Reforço do Caixa do Estado com Verba Federal

Não somos contrários à efetivação destas medidas, as quais julgamos serem viáveis e adequadas, apresentando reais possibilidades de propiciarem melhor eficácia das polícias. O cerne da questão está na forma que estão implementando estas medidas! Vejamos: para que haja real empenho dos governos estaduais, há promessa de verba federal de montante considerável. Ora, em ano eleitoral nada melhor que reforçar o caixa do estado com verba extra, com a qual, pode-se equipar as polícias com todo tipo de insumos. Fica evidente que haverá grande alarde nos palanques: “Equipamos as polícias com material, equipamentos e viaturas”.

VII – Demandas Por Maior Segurança

Sabemos que somente com a instrumentalização das polícias não basta. A questão da segurança pública é mais complicada do que parece. Após a instrumentação, vamos verificar que o índice de criminalidade diminui temporariamente, para logo a seguir, alcançar o mesmo patamar anterior, ou até mesmo ficar mais elevado. Quem são os responsáveis? Certamente, vão afirmar que nós, profissionais de segurança pública, somos incompetentes e despreparados! Este “filme” está sendo reprisado, pois programa semelhante de instrumentalização já ocorreu anteriormente, tendo as polícias estaduais recebido grande frota de viaturas do governo federal, as quais rapidamente se deterioram por falta de manutenção. Tem sido sempre assim: adquire-se material e equipamentos sofisticados e falta efetivo qualificado, remuneração digna à altura da profissão; faltam peças de reposição, combustíveis e manutenção permanente, e outras mais.

VIII – Medidas de Integração de Forma Simplista

As medidas destinadas a melhorar a eficácia das polícias sempre são de última hora, de forma simplista e com extremo afogadilho: instala-se unidade operacional da Polícia Militar (Companhia ou Batalhão) em espaço físico (sala) onde funcionava uma delegacia de Polícia Civil e em contrapartida, loca-se órgãos de administração da Polícia Civil dentro de aquartelamento; viaturas policiais possuem as mesmas cores e características, dificultando distinguir a polícia administrativa da polícia judiciária; A Polícia Civil usa uniformes, distintivos e armas ostensivas em semelhança com a Polícia Militar; Policiais militares usam coletes e calças jeans pretas, assemelhando-se à Polícia Civil. O que estão pretendendo? A unificação ainda não foi efetivada! Quem sabe, colocando farda nos companheiros da Polícia Civil e terno nos integrantes da Polícia Militar, as questões da violência e da criminalidade vão ser solucionadas! Só falta essa!

IX – Falta de Compromisso, de Seriedade e de Profissionalismo de Algumas Autoridades.

Estamos assistindo mudanças abruptas significativas na estrutura das polícias, provocando perda de identidade de ambas. Alertamos a sociedade e aos companheiros policiais civis e militares, sobre a falta de critérios científicos na implementação da alardeada integração. Cumpre-nos, evidenciar que as polícias estaduais possuem origens históricas, costumes, tradições, doutrinas, ordenamento jurídico e administrativos bastantes diferentes. Daí, não ser prudente implementar mudanças repentinas, sem critérios científicos comprovados, sob pena de ocasionar sérios problemas futuramente, comprometendo ainda mais a eficácia da prestação de serviços de segurança pública. Não se trata de corporativismo e nem simples oposição radical às mudanças. Preocupa-nos a falta de compromisso, de seriedade e de profissionalismo com que algumas autoridades estão implementando a integração das polícias. Ao que parece, mais importante é cumprir rapidamente as metas estabelecidas pelo governo federal, mesmo com risco iminente de tudo não dar certo. Não podemos acreditar que é a verba do governo federal que interessa! Se assim for, cumprimos nossa parte alertando sobre o efeito drástico vindouro, que poderá afetar consideravelmente as Polícias Civil e Militar, implicando em reflexos negativos na árdua missão de controlar a violência e a criminalidade no Brasil.

X – Parece que Querem Transformar as Polícias em Laboratórios de Pesquisas Empíricas

Para que haja uma integração das polícias de conformidade com as metas traçadas pelo Ministério da Justiça não é necessário compartilharmos as mesmas instalações físicas. Experiência nesse sentido já ocorreu em nosso Estado, quando implantou-se Unidades Integradas de Segurança, as quais não apresentaram resultados satisfatórios. Somente os profissionais mais antigos podem comprovar esta afirmação. Voltamos a evidenciar que cada instituição de segurança pública tem identidade própria de acordo com sua origem, sua estrutura, sua formação e suas atribuições constitucionais. Daí, não ser coerente implementar uma integração a “toque de caixa”, de forma simplista, de um dia para outro, sem análises, sem planos e programas adequados e ainda desconsiderando as diversas variáveis existentes. Até parece que querem transformar as polícias em laboratórios de experiências empíricas, o que também, em menor escala já ocorreu anteriormente para cumprir política de segurança pública traçada por governos passados. Lembram-se da “TORA”, da “PUA”, da “ROTAM”, do “grupo de combate ao abigeato”, das mais variadas cores de viaturas e tipo de uniformes? Tudo não deu em nada, foi apenas marketing para vender imagem de uma nova e eficaz polícia, a qual não conseguiu ultrapassar uma administração governamental.

XI – Ações de Governo Contra os Condicionantes da Criminalidade no Campo Econômico, Social e Cultural

Quando buscamos soluções para os problemas de Segurança Pública/Defesa Pública, objetivando o controle de criminalidade e da violência devemos implementar medidas abrangentes que envolvam diversos órgãos de governo (federal, estadual e local), a exemplo de todo o sistema criminal. O incremento de programas estáveis e permanentes, a médio e a longo prazo, implementado pari-passu, de forma que perdurem de governo para governo, sem que sofram solução de continuidade, seria boa estratégia. Aos governantes, incumbem o dever de estabelecer os Objetivos Nacionais Permanentes e Atuais, os quais devem traduzir os anseios e aspirações da nação. É certo que esses objetivos devem ter como destinatário maior, o ser humano, o qual tem por ideal de sobrevivência, uma sociedade justa, equilibrada e organizada de forma onde todos tenham condições de alcançar a realização de suas potencialidades. Na busca do bem comum, a nação brasileira deve procurar estabelecer referenciais realistas que propiciem nortear suas ações de maneira duradoura, de forma que consigam perdurar durante os diferentes períodos de governo. Daí, vislumbramos a necessidade de adoção de medidas a serem desenvolvidas pelos 03 (três) níveis de governo, onde sejam levadas em conta as reais causas da violência e da criminalidade, porque as polícias só atuam nos efeitos dessa criminalidade, como não poderia ser diferente. Concomitantemente com as medidas e programas para as polícias é mister implementação de ações de governo contra os condicionantes da criminalidade no campo econômico, educacional, social e cultural. Não basta uma relação de metas e programas inscritos em um documento denominado “Pleno Nacional de Segurança Pública”, a exemplo do último plano elaborado pelo Ministério da Justiça. É necessário ação, muita ação!

XII – Considerações Finais

A presente exposição não tem por propósito esgotar o assunto, tratando-se de uma opinião profissional particular e por tal não representa o pensamento dos demais integrantes de nossa Polícia Militar. Não tivemos intenção de emprestar ao tema nenhuma conotação de cunho político-partidário e/ou ideológico, simplesmente estamos expondo nosso convencimento profissional.

Dourados – MS, 10 de Abril de 2002

Paulo Cezar Gomes Navega – Tenente Coronel – PM

* Paulo Cezar Gomes Navega é Tenente Coronel da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul.

I – CURSOS MILITARES

a-     Curso de Formação de Oficiais (EB-CPOR/RJ – 1973);

b-     Curso de Adaptação PM (Academia de Polícia Militar de Pernambuco – 1979);

c-     Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (Escola Superior de Polícia Militar do Rio de Janeiro – 1989);

d-     Curso Superior de Polícia Militar (UNIDERP/CG – 1999).

II – CURSOS CIVIS

a-     Cursos Superior de Administração de Empresas (UNIGRAN – 1985);

b-     Bacharel em Ciências Jurídicas (UNIGRAN – 1992);

c-     2º Ciclo de Estudos de Política e Estratégia (ADESG/Dourados – 1994


A “Anta da Inútil” ou o “Jumento do PT”, como queiram

Gen. Valmir Fonseca Azevedo Pereira*

Anta e JumentoComo os gregos invadiram a cidade fortificada de Troia, e venceram os troianos, é consabido.

Ofendidos com a adúltera Helena, esposa do rei Menelau de Esparta, que fugira com o troiano Paris, os coligados gregos atacaram os troianos com todas as suas forças durante nove anos, mas não conseguiram invadir as Muralhas de Troia.

Contudo, o esperto Odisseu inspirado por Atena, deusa da Sabedoria, idealizou um cavalo de madeira, depois apelidado de “Cavalo de Troia”, que construído, abrigou no seu interior um punhado de soldados inimigos.

Os ingênuos troianos acreditaram que o enorme cavalo colocado nos portões da fortaleza era um presente dos deuses e, alegremente, colocaram – no dentro do Castelo. E foram festejar, por acreditar que era em homenagem à sua vitória sobre os gregos.

Após muitas comemorações relaxaram e caíram nos braços de Morfeu. Foi quando os soldados enfurnados nas entranhas do cavalo, saíram, abriram os portões, e o bando de gregos que nas moitas aguardavam a sua abertura adentraram e trucidaram os dorminhocos troianos.

Aqui, tivemos algo parecido, podemos nominá – lo de o “Elefante do Lula”. Foi há alguns anos atrás, o PNDH3. O paquiderme, felizmente, por suas dimensões foi percebido pelos defensores do Brasil, que indignados com a patifaria petista, não permitiram que o mastodonte fosse inserido em nosso Castelo.

Anos depois, recentemente, já sovados com o fracasso do elefante do lula, decidiram empregar um subterfúgio menos espalhafatoso, e na moita, aproveitando outras vicissitudes nacionais, como a Copa, a CPMI da Petrobras, as maldições contra o Ministro Barbosa, em surdina, e através de um subterfúgio documental, colocaram em nossos portões, uma anta, a “Anta da Inútil”, ou o “Jumento do PT”, e no seu interior, um decreto, o 8.243.

 Apesar dos alertas, da ameaça de que a anta será devidamente expurgada, é da nossa pessimista percepção de que o populacho inebriado com o presente de grego, embebedado pelas vantagens anunciadas pelo decreto, se acomode, como sempre.

Os visceralmente contra o embuste, em pequeno número, serão atropelados pela oposição, composta por parlamentares aliados e juristas cooptados, que juram que a “Anta da Inútil” é o passaporte para o Brasil do futuro.

Por conclusão decorrente do que tem acontecido nas últimas décadas, devemos aceitar que o estupro é inevitável, portanto, relaxa e goza, pois ao anta da inútil já está dentro das nossas frágeis muralhas e, ao que tudo indica, chegou para ficar.

Brasília, DF, 18 de junho de 2014

*Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira.

Publicado por:  Recebido do autor por e-mail.


Viva a Albânia e Viva Cuba

Gen. Valmir Fonseca Azevedo Pereira*

Albânia e CubaNo período efervescente da subversão era impressionante a propaganda do regime comunista em nosso País.

As violentas atividades subversivas, os assaltos a bancos, os sequestros, os atentados terroristas, o roubo de armas e a intensa propaganda que seria proibida ou coibida pelos governos militares.

O Pasquim corria à solta, as “ações vitoriosas” dos terroristas tanto na área urbana como na rural eram divulgadas aos quatro ventos. Como sempre, os idiotas repressores eram trucidados e desmoralizados pelos “heróis da revolução comunista” no Brasil.

As ameaças de sequestrar algumas autoridades estrangeiras eram propaladas como algo que aconteceria com êxito, a qualquer momento.

No meio estudantil proliferava a determinação de que o Brasil precisava comunizar – se, e os jovens estudantes, devidamente cooptados por “estudantes profissionais”, de todos os níveis, viviam desfraldando a bandeira da foice e do martelo.

Foram momentos difíceis, duros de aguentar.

Recordo que durante um longo período, os militares foram proibidos de transitarem nas ruas fardados. Poderiam sofrer alguma represália.

Para os que não estavam diretamente envolvidos na repressão, enem um por cento do efetivo estava, a vida na caserna prosseguia, volta e meia açodada com sobreavisos, prontidões, e com serviços nos quartéis cada vez mais exigentes.

O Oficial – de – Dia em serviço passava a noite acordado, e no dia seguinte prosseguia normalmente a sua atividade junto à tropa.

Citamos de leve coisas bem simples e elementares, entre tantas que vivemos e convivemos, antes de destacar algumas considerações sobre a trotskista Albânia.

Lembro de que os comunas com sofreguidão apegavam – se, principalmente à noite, para escutar e desfrutar da rádio de Albânia.

Ajustar a frequência da “Rádio Tirana” era a glória para a subversão, que com certa dificuldade sintonizava a estação subversiva na busca de notícias alvissareiras.

Nós ficávamos imaginando o que ocorria na Albânia, um ícone na cuca dos comunistas do Partido Comunista do Brasil (PC do B), que renegara a “linha chinesa”, antes adotada pela “linha albanesa”.  A impressão que se tinha era de que a Albânia era um monumento, um baluarte, uma potência ideológica.

Bom, até que pesquisando aquele país, verificamos que era uma miserável nação dominada pelos mais radicais comunistas.

Posteriormente, com a queda do Muro de Berlim, com o esfacelamento da União Soviética, surgiu aos olhos do povaréu, o que era de fato a grande Albânia, idolatrada pelos crédulos e fieis profitentes do PC do B, partido responsável pela “guerrilha do Araguaia”, cujos guerrilheiros, na selva amazônica, recebiam diariamente, da capital albanesa, por meio da rádio de Tirana, as diretrizes expedidas pelos comunistas trotskistas da pequenina e insignificante Albânia.

A Albânia era, e ainda é, o menos desenvolvido dos países da Europa, na época uma das desvalidas nações que compunham a poderosa União Soviética.

A Albânia era secularmente atrasada, com carroças nas ruas, com uma população paupérrima, o que deveria causar surpresa até para os seus admiradores que colavam os ouvidos para escutar a poderosa e libertaria voz da Albânia.

Hoje, impossível não mirar para Cuba, um carente país que para os nossos comunistas parece irradiar uma luz de raro esplendor, que nem a Albânia.

Cuba soa para os nossos terríveis comunas como um eldorado, como um exemplo que esperam incutir no Brasil.

Pelo andor da carruagem, pela intensidade e admiração que tinham pela Albânia, breve teremos como paradigma da civilização brasileira o modelo da “poderosa e maravilhosa ilha cubana”.

Quem votar na presidANTA, o “poste sem luz”, verá.

Brasília, DF, 20 de junho de 2014

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Publicado por:  Recebido do autor por e-mail.


As escolas de antigamente

Gen. Valmir Fonseca Azevedo Pereira*

General Valmir Fonseca 01Vou falar das Escolas que cursamos no passado. No meu caso, das militares, da Escola Preparatória de Porto Alegre (EPPA) e da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Nelas, tivemos os exemplos de bons instrutores e monitores, de Tenentes dedicados, todos de conduta ilibada e por vezes mais severos do que gostaria a nossa juventude.

Olhávamos com respeito, os Capitães, os superiores, e, até com certo temor as maiores autoridades, os Coronéis, e principalmente, os Generais. Com maior razão o General Comandante da AMAN.

E eles nos ensinavam os assuntos militares e os morais e cívicos, pregavam a obediência a princípios fundamentais, falam sobre valores, e sublinhavam o respeito aos subordinados.

Em geral apregoavam a máxima de “não faças aos outros, o que não desejas que façam contigo”.

Acordávamos cedo e lá estavam eles, exigiam o traquejo na farda e lá estavam eles, impecáveis, destacavam a importância da disciplina e do cumprimento da hierarquia.

E assim, durante anos naqueles bancos escolares eles passaram por nós, Oficiais, Sargentos e Praças, em decorrência das transferências; mas mudava o homem e não a tônica do exemplo e da dedicação.

A qualquer momento lá estavam eles, nas instruções, nas provas, e mesmo nas dificuldades em apoio aos necessitados.

Ah, nas escolas de antigamente aprendemos ensinamentos maravilhosos, tantos que de certa forma a sua influência faz parte de nosso caráter.

Somos gratos.

Contudo, hoje é flagrante que cometeram “falhas imperdoáveis”, pois não nos ensinaram a ser patifes, calhordas, cretinos, nem desonestos, nem falsos, nem bandidos, nem a conviver com estes tipos de indivíduos, e, o pior, nem a combatê – los.

Hoje, reclamamos e tornamos público a nossa falta de capacidade e despreparo para engolir o que assistimos: a ganância, a corrupção, o apogeu da mentira e a enganação.

Incompetentes” instrutores e monitores que não nos prepararam para conviver sob a égide dos “fins justificando os meios, e de que tudo vale em beneficio de seus interesses”, que nos moldaram sob as premissas da virtude, e a preservação da honra e da dignidade, a qualquer custo.

Mas, na certeza de que não agiram de má fé, desculpamos a sua inocência ou a sua boa intenção de esconder – nos que lá fora, um dia, nesta Terra predominaria a falta de caráter, a impunidade, e que o mérito seria um nauseabundo defunto diante dos interesses pessoais.

Infelizmente, sob o peso dos anos, nós que frequentamos as escolas de antigamente, não temos mais tempo nem saco de apreendermos a arte da patifaria e, por isso, vez por outra, indignados por assistir a tantas falsidades, ao ver florescer o escárnio e a injustiça, reclamamos, denunciamos.

Mas é um grito inútil, pois os tempos são outros, a escolas de antigamente foram substituídas, e sabe – se lá o que os novos mestres ensinam, neste caso, em preparação dos jovens para se saírem bem entre os demais patifes. Nós, infeliz ou felizmente, deste tema, nada aprendemos.

Evidentemente, a História da Humanidade tem nas suas linhas uma infindável lista de indivíduos de baixíssimo padrão moral, pessoas sem escrúpulos.  E assim será, agora e sempre.

Porém, o duro é testemunhar no Brasil, que aqui, quanto mais cretino melhor, como comprovamos no nosso dia a dia.

Mas é tarde para voltar aos bancos escolares, e mais difícil viver nestes novos tempos sem reclamar daqueles antigos Mestres, que não nos prepararam para viver nesta fedorenta esbórnia.

A grande dúvida é se diante de tantos patifes, a História da Pátria poderia perdoar – nos se liderássemos uma revolução que sob a desculpa do “paredón” eliminasse sem piedade, os abomináveis detratores da honra e da grandeza do Brasil.

Brasília, DF, 31 de maio de 2014

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

*Cadete do último ano do Curso de Infantaria da AMAN, sob o Comando do inesquecível General Emílio Garrastazu Médici, em 31 de março de 1964.

**Recebido do próprio autor, por e-mail


Esses babacas do metrô

*Fernando Gabeira – O Estado de S. Paulo

Fernando Gabeira 01Houve um tempo em que esperávamos a Lua entrar na sétima casa, Júpiter se alinhar com Marte e a paz reinar no planeta. Era a aurora da era de Aquarius. Aquarius, Aquarius. As mulheres arrancando os sutiãs, os homens com calça boca de sino, cavalos da polícia dançando, tudo porque a Lua tinha, finalmente, entrado na sétima casa.

Nossas esperanças hoje são mais prosaicas. Em vez de Júpiter se alinhar com Marte, contemplamos o alinhamento da Copa do Mundo com as eleições no Brasil. E os nervos estão mais sensíveis. Na cúpula, governo e Fifa se estranham. Para Jérôme Valcke, o contato com as autoridades brasileiras foi um inferno. Para Dilma Rousseff, Valcke e Joseph Blatter são um peso.

É o tipo de divórcio que não se resolve com as cartomantes que trazem de volta a pessoa amada em três dias. Eles se distanciam num mero movimento defensivo. Quem será o culpado se as coisas não derem certo?

Dilma, com a Copa das Copas, quer enfrentar a eleição das eleições e põe toda a sua esperança nos pés dos atletas. A Fifa não gostaria de entrar numa gelada no Brasil, mesmo porque o Qatar a espera com calor de 52 graus. Seriam dois fracassos seguidos, pois Blatter já admitiu que o Qatar foi um erro.

Essa conjunção histórica está levando a uma certa irritação da cúpula conosco, que não inventamos essa história. Blatter declarou que os brasileiros precisavam trabalhar mais porque as promessas de Lula não foram cumpridas. Nada mais equivocado do que essa visão colonial. Se Blatter caísse no Brasil e vivesse nossa vida cotidiana, constataria que trabalhamos muito mais que ele mesmo, um cartola internacional. Desde quando o objetivo do nosso trabalho é cumprir as promessas de Lula?

A tática de Lula é diferente da de Blatter. Lula não critica nossa insuficiência no trabalho, mas nossas aspirações de Primeiro Mundo. Ele, que vive espantando o complexo de vira-latas, apossando-se politicamente de uma frase de Nelson Rodrigues, nos convida agora a reviver o espírito que tanto condena: “Querer vir de metrô ao estádio é uma babaquice. Viremos a pé, de jumento…”. Para Blatter, precisamos trabalhar mais; para Lula, desejar menos. Só assim nos transfiguramos na plateia perfeita para o espetáculo milionário.

Lula começou sua carreira falando em aspirações dos mais pobres, hoje prega o conformismo. Não é por acaso que o PT faz anúncios inspirados no medo de o adversário vencer as eleições. Não há mais esperança, apenas um apego desesperado aos carguinhos, à estrutura do Estado, aos grandes negócios.

No passado exibi um filme em que Lula e Sérgio Cabral dialogam com um garoto do Complexo da Maré. Eles entram em discussão, Cabral ofende o jovem e Lula diz ao garoto que gostava de jogar tênis: “Tênis é um esporte de burguês”. Na cabeça de Lula, o menino tinha de se dedicar ao futebol. Outras modalidades seriam reservadas aos ricos. Se pudesse livrar-se de seus aspones e andar um pouco até a Baixada Fluminense, veria um campo de golfe em Japeri onde atuam dezenas de garotos pobres da região. Dali saem alguns dos melhores jogadores de golfe do Brasil.

Lá por cima, pela cúpula, muito nervosismo, uma certa impaciência com um povo que não se ajusta ao espetáculo. Estão mais ansiosos que os próprios jogadores para que o juiz dê o apito inicial. Nesse momento, acreditam, o Brasil cai num clima de festa. Com a vitória da seleção o Brasil entraria num alto-astral e os carguinhos, os grandes negócios, tudo ficaria como antes.

Li nos jornais algumas alusões à Copa de 70, a que assisti na Argélia. De fato, o PT vai se agarrar à seleção como o governo Médici o fez naquela época.

Mas já se passaram tantos anos, o Brasil mudou tanto, e o alinhamento das eleições com a Copa, organizada pelo País, tudo isso traz novidades que a experiência de 1970 não abarca.

Estamos entrando num momento inédito. Dilma é vaiada em quase todo lugar por onde passa. Lula está visivelmente ressentido com o povo, que não o celebra pela realização da Copa; que é babaca a ponto de desejar ir de metrô ao estádio.

Não importa qual deles venha. “Que vengan los toros”, como dizem os espanhóis. Não importa quantos gols nosso ataque faça – e espero que sejam muitos -, a glória do futebol não obscurece mais nossas misérias políticas e sociais. Se os idealizadores da Copa no Brasil fizessem uma rápida pesquisa, veriam que o sonho de projetar a imagem de um país pujante e pacífico está ardendo nas fogueiras das ruas, na violência das torcidas, no caos cotidiano nas metrópoles, nos relatos sobre a sujeira da Baía de Guanabara.

O governo do PT e aliados não poderá esconder-se atrás do futebol, porque eles já foram descobertos antes de a Copa começar. A Copa do Mundo não sufoca as denúncias de corrupção porque a própria Copa está imersa nela. A Fifa, com Jérôme Valcke sendo acusado de venda irregular de jogadores, não ajuda. Até o técnico Felipão caiu nas redes do fisco português.

O sonho de uma plateia ideal para a Copa, milhares de pessoas com bandeirinhas, de um eleitorado ideal que vota sempre nos mesmos picaretas, de torcedores ideais que vão a pé ou de jumento para estádios bilionários, esse sonho entra em jogo também. Assim como aquele de projetar a imagem positiva do Brasil, o sonho de uma plateia ideal para a Copa foi por terra. Nem todos cantam abraçados diante das câmeras.

Começou um jogo delicado em que a Copa do Mundo é apenas uma etapa. Valcke vai viver o inferno nos 52 graus do Qatar e Dilma enfrentará a eleição das eleições, a qual precisa vencer, mas não para de cair.

A Lua entrou na sétima casa e não veio o paraíso. As eleições se alinham com a Copa, como Júpiter e Marte, e o Brasil, num desses momentos de verdade decisivos para sair dessa maré. Se estão nervosos agora, imagino quando as coisas esquentarem.

Os babacas que querem ir ao estádio do metrô podem querer também um governo limpo, um combate real à corrupção, serviços públicos que funcionem.

Babacas, felizmente, são imprevisíveis.

*Jornalista

Publicado por: Jornal O Estado de São Paulo


Kosovos indígenas

Preâmbulo – F. Maier

Infelizmente, caminhamos para uma verdadeira “balcanização” do território brasileiro. No futuro, é muito provável que as “nações indígenas” queiram se separar da República brasileira, criando “repúblicas autônomas” como as que havia na antiga Iugoslávia, para depois se separarem definitivamente do Brasil. As “reservas indígenas” serão nossos Kosovos, nossas Croácias, nossas Bósnias, nossas Montenegros no futuro, caso não detenhamos o desmembramento a tempo – sem considerar os bantustões dos quilombolas e do MST, em amplo e acelerado processo de formação.

Abaixo, artigo de um oficial brasileiro que conhece muito bem o assunto.

***

Indios no Brasil 01Kosovos indígenas 

Osmar José de Barros Ribeiro (*)

03 de março de 2008

Por razões que são até hoje desconhecidas, desde o governo Fernando Collor o Brasil vem, sem maiores questionamentos, cedendo às pressões de ONGs ambientalistas e indigenistas bem como de governos estrangeiros e de grupos financeiros internacionais, no sentido de criar um número crescente de reservas indígenas, particularmente na Região Norte. Nosso meio de comunicação sabe-se lá a razão, talvez por desconhecimento, talvez por má-fé, engrossam esse coro vindo do exterior.

Para não irmos muito longe: a questionada e questionável criação da TI (Terra Indígena) Raposa-Serra do Sol em área contínua, colocou mais de 40% do território do Estado de Roraima sob a jurisdição de fato do Conselho Indigenista de Roraima (CIR), órgão ligado a uma série de organizações, como a Cafod (Agência Católica para o Desenvolvimento, agência oficial da Igreja Católica da Inglaterra e do País de Gales); Cese (Coordenadoria Ecumênica de Serviços, órgão do Conselho Mundial de Igrejas, criado e sustentado pela Igreja Anglicana); Cimi (Conselho Indigenista Missionário, órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil/CNBB e profundamente infiltrado pelos adeptos da Teologia da Libertação); CCPY/Comissão Pró-Yanomami (criada em 1978, originalmente denominada Comissão pela Criação do Parque Yanomami, com forte apoio internacional). Convém ainda destacar a NORAD/Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (ligada ao Ministério de Negócios Estrangeiros, a qual canaliza fundos substanciais através ONGs norueguesas e da Rain Forest Foundation, nos EUA e na Noruega); a Greenpeace, cujas ações de desrespeito à soberania de muitas nações são sobejamente conhecidas; o Instituto Socio-ambiental (ISA) e outras como a Oxfam e a Survival International.

Quanto ao ISA, fundado em 22 de abril de 1994, incorporou o patrimônio do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI, umbilicalmente ligado ao Conselho Mundial de Igrejas-CMI) e do Núcleo de Direitos Indígenas (NDI) de Brasília. Como sucessor do CEDI, promove ativamente a insidiosa tese da “autonomia” dos povos indígenas. Para tanto, em especial, mas não unicamente na Amazônia, vêm organizando as “nações indígenas” e mesmo grupos de quilombolas em “uniões”, “organizações”, “federações”, “coordenações”, etc. Ao fim e ao cabo trata-se, sem dúvida alguma, de “garantir a preservação do território amazônico para o seu desfrute pelas grandes civilizações européias, cujas áreas naturais estejam reduzidas a um limite crítico”, objetivo declarado do já mencionado Conselho Mundial de Igrejas. A partir de 2002 expandiu as suas atividades, anteriormente focadas no meio ambiente e nos indígenas, para problemas ligados à posse e utilização da terra, ligando-se ao Apoio Jurídico Popular (AJUP), à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), ao MST, à Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP) e à Comissão Pastoral da Terra (CPT), promovendo a articulação entre as ONGs ambientalistas e os movimentos de luta pela terra.

 Dentre as organizações ligadas ao ISA, há que destacar o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), sediado em Brasília, onde desenvolve atividades voltadas ao “apoio técnico, científico e acadêmico na área de meio ambiente, com o objetivo de fortalecê-la e promover a sua articulação na Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e Cerrado”. Para seus programas conta, atualmente, com o apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos, USAID (sua cooperação com a USAID vem de 1989), Moore Foundation, ProManejo; Delegação da Comissão Européia no Brasil, World Wildlife Fund (WWF) e outras entidades. Em 1997, teve início a parceria com o World Wildlife Fund (WWF-US).  Em 1998 deu-se a sua formalização como ONG, face à necessidade de dar forma institucional às ações realizadas pela cooperação USAID//WWF-US. Em 2000, com a Embaixada do Reino dos Países Baixos, foi firmada uma parceria para a execução do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional e Sustentável – PADIS. Em 2003, criado o Consórcio ALFA, Aliança para a Floresta Amazônica e Mata Atlântica, foi um dos três consórcios selecionados pelo edital da USAID para atuação nos seguintes eixos: manejo florestal, comunidades e mercados, e planejamento de paisagens. O Consórcio ALFA é liderado pelo IEB e formado por oito outras organizações com atuação na área ambiental no Brasil.

A demarcação de TIs, tão defendida por organismos e países estrangeiros, coincidentemente localizadas sobre ocorrências minerais e dada a lamentável anuência brasileira à Convenção sobre os Direitos dos Povos Indígenas, vem trazer uma possível e desastrosa conseqüência para nós: a criação e o reconhecimento, por parte de alguns países centrais com interesses na região (por exemplo: Reino Unido, França, Holanda, EUA) de “nações indígenas” nas áreas ocupadas pelas Reservas situadas em áreas de fronteira, ao norte da calha do Solimões/Amazonas. Sem dúvida, o primeiro “Kosovo indígena” estaria em Roraima (mais de 60% da sua área é reserva indígena ou ambiental) e resultaria da união da Reserva Ianomâmi com a da Raposa-Serra do Sol.

Quem tiver qualquer dúvida quanto ao afirmado, bastará entrar na internet e consultar os sítios das organizações mencionadas anteriormente. Tomará conhecimento da aversão das ONGs à presença do Estado Nacional naquela área e da pressão contra as autoridades brasileiras em fóruns tais como a OEA e a ONU, em defesa dos direitos das “nações indígenas”.

Espero estar enganado, mas a ser concretizada tal hipótese, bem pouco vai restar-nos além de inócuos protestos e, então, bem poderão ser aplicadas a nós, brasileiros, as palavras da mãe do último rei mouro de Granada, em 1492: “Choras como mulher, o que não soubeste defender como homem”.

(*) Osmar J. B. Ribeiro é tenente-coronel reformado do Exército.


Os irresponsáveis ambientalistas

João Bosco Leal

Infraestrutura GeralNa última década, temos assistido surgir em território brasileiro centenas de ONG’s em defesa das mais diversas causas ou com os mais variados interesses, muitas vezes até inexplicáveis, como a de atualmente haver muito mais dessas ONG’s na região Amazônica ou em diversas outras partes do país, atuando em defesa das “nações” indígenas e da preservação de animais, do que nas regiões de extrema pobreza do país, como no Nordeste, onde nossos compatriotas, seres humanos, sobrevivem sem nenhum tipo de infraestrutura nas áreas de saúde, educação, transporte, e muitos deles literalmente passam fome. 

O que se observa por trás desta realidade é que no sertão nordestino elas não encontram tantos minérios ou espécimes do bioma amazônico – que são ilegalmente subtraídos do país, principalmente pelas indústrias multinacionais de medicamentos e por contrabandistas de minérios -, ouro e pedras preciosas. É por isto que existem no Amazonas áreas de acesso totalmente restrito a brasileiros, mas liberado a estrangeiros e também, são estes os motivos de milhares de brasileiros, corruptos ou imbecis – inclusive políticos e funcionários públicos responsáveis pelos órgãos que deveriam cuidar dos índios e do meio ambiente -, continuarem apoiando essas ONG’s.

Há menos de um ano eram comuns os protestos contra a construção de mais Usinas Hidrelétricas no país sob a alegação de que prejudicariam o meio ambiente e que o alagamento da área para uma das represas exigiria a mudança de uma tribo indígena do local que habitam. Entretanto, o clima mudou e estamos enfrentando uma seca que em determinadas regiões já é a maior dos últimos cinquenta anos, enquanto em alguns locais – exatamente da região norte -, diversas cidades estão isoladas pela ocorrência de tantas chuvas, que inundaram as estradas que a elas dão acesso.

Por outro lado, a falta de chuvas já sinaliza um provável racionamento de energia e em algumas regiões, como a da grande São Paulo, também de água. Enquanto isso, mais de seiscentos projetos para a construção – pela iniciativa privada -, de Pequenas Centrais Hidrelétricas, as PCH’s, que, juntas, certamente supririam, com folga, toda a carência energética do país, que inclusive, atualmente, impede até seu desenvolvimento industrial, continuam engavetados na Aneel – Agencia Nacional de Energia Elétrica -, sem sequer serem examinadas.

Existe alguma explicação lógica para, sendo o Brasil o país com o maior potencial hídrico do mundo, estar impedido de progredir por falta de energia elétrica e abastecimento de água potável? Claro que sim: a corrupção. Enquanto falta energia hidrelétrica, além de não progredirmos, temos de suprir nossas necessidades com Usinas Termelétricas, movidas a combustíveis fósseis, cuja geração é muito mais cara e poluente, mas pertencentes a grandes grupos internacionais ou a grandes empresários, amigos ou sócios de grupos políticos corruptos que hoje influem no comando do país.

Constatadas na prática essas necessidades, sumiram da mídia todos os ambientalistas que protestavam contra suas construções e os políticos atrelados a tais ONG’s. Na realidade, esses literalmente bandidos, sempre fingiram defender a minoria indígena, mas só os utilizava como massa de manobra para buscar lucros em benefício próprio, quando deveriam pensar em termos da população geral do país e não se preocupar com a necessidade de mudança de local de uma minoria, em benefício da maioria.

As usinas hidrelétricas e as pequenas centrais hidrelétricas precisam ser construídas em todas as regiões do país, pois além de gerarem energia mais barata e limpa, seus lagos e represas são depósitos de água para abastecer os brasileiros em épocas de seca como a que agora atravessamos.

O país não precisava investir bilhões de dólares na construção de campos de futebol para uma Copa do Mundo ou na construção de portos em outros países, mas esse investimento seria até barato se a população, com esses erros de seus governantes, aprendesse a votar. 

O Brasil precisa ser governado por um patriota, que invista na educação, saúde e infraestrutura, para que o povo, culto, possa progredir e não vote mais nos corruptos que aí estão.

Publicado por: A Agonia de Prometeu – SP ; A Crítica – MS  ;  Aggregga – PAA Pérola do Mamoré – RO ; Blog do Giulio Sanmartini – SP e MG ; Blog do Horácio CB – RJ ; Blog do Meireles – BA ; Blog do Reinaldo Santos – PE ;  Bloglovin’ ; Blog Top Sites - ; Campo Grande News – MS ; Debates Culturais – RJ ; Diário Católico – PR ; Dig Now - ; Dourados News – MS ; Expresso MT – MTGente de Opinião – ROHorizonte MS – MSJusBrasil – MT ; Libertatum – PA ; Manoel Afonso – MSMinuto Notícias – MG ; O Cão Que Fuma – Conselho de Sintra – PortugalPravda.RU – Moscow – Rússia ; Prosa & Política – MTQue Notícias – ROTabocas Notícias – BAUm Sul Mato Grossense na Web – MS ;  Valter Vieira – BA ;


A reeleição dos corruptos

João Bosco Leal

Eleições 02Na internet circula um texto de autoria indicada como sendo de Bill Cosby, “Tenho 74 anos e estou cansado”, onde o mesmo descreve diversos desvios comportamentais que estão sendo assumidos pelas pessoas das gerações posteriores à dele, mas que as consequências acabam sendo suportadas por todos.

Conta que nada herdou e que trabalhou duro, desde 17 anos de idade e por 50 horas semanais, para chegar onde estava e agora ouvir que tinha de distribuir suas riquezas com as pessoas que não possuem sua ética de trabalho. Que cansara de ver o governo ficar com seu dinheiro e entregá-lo de formas variadas a pessoas que tiveram preguiça de trabalhar como ele.

Diz que foi educado para ter tolerância com outras culturas, mas não entende a violência contra as mulheres praticada pelos seguidores do Islã em seus países e o assassinato de judeus e cristãos, simplesmente por não serem crentes em Alá e, mesmo assim, insistirem em declarações de que essa é a religião da paz.

Ou a permissão da construção de mesquitas e escolas madraças islâmicas – que só pregam o ódio -, em diversos países do mundo, se nenhum deles pode construir uma igreja, templo, sinagoga ou escola religiosa em países árabes, para pregar o amor e a tolerância.

Fala sobre os tóxicos dependentes, fumantes e alcoólatras que fizeram sozinhos a opção por seu estilo de vida, consumo ou vício, mas de alguma forma acabam prejudicando toda a sociedade e não assumem a responsabilidade por suas escolhas e atitudes, além de normalmente ainda culparem o governo de discriminação por seus problemas, como os tatuados e cheios de piercings, que por essas suas escolhas tornaram-se não empregáveis e reivindicam dinheiro do governo, dos impostos, pagos por quem trabalha e produz.

Que cansou, de ver atletas, artistas e políticos de todos os partidos confessarem erros inocentes, estúpidos ou da juventude, mas que na realidade pensam que seu único erro foi ser apanhado, e de pessoas que por não assumirem a responsabilidade por suas vidas e ações, culpam o governo de discriminação por seus problemas.

Alega que, por sua idade, não verá o mundo que essas pessoas estão criando, pois já está no caminho de saída e não de entrada deste, mas fica triste por seus descendentes e sugere que cada um faça sua parte, contrariando o caminho que esses péssimos governantes estão nos proporcionando, por essa ser a única chance de fazer a diferença.

Com as eleições brasileiras se aproximando, penso que realmente temos, individualmente, a chance de mudar tudo o que aí está posto, desde a corrupção generalizada, a imunidade parlamentar, a demora generalizada do poder judiciário em julgar os processos, a aceitação da interferência de um ex Presidente em diversos Poderes e todas as outras falcatruas que diariamente lemos nos jornais ou assistimos pelos noticiários televisivos.

Independentemente de sermos jovens, adultos ou idosos, negros, brancos ou amarelos, de descendência europeia, asiática, americana ou africana, se hoje aqui vivemos e criamos nossos filhos, somos todos brasileiros e é no futuro das nossas próximas gerações de brasileiros é que devemos pensar.

Nada se constrói em um país republicano como o nosso sem o envolvimento de algum dos Três Poderes, ou dos três conjuntamente, mas a total independência destes é fundamental para a sobrevivência da democracia. Entretanto, no Brasil, o Poder Executivo têm, através de nomeações ou de corrupção, interferido diretamente nos outros dois de modo a alterar totalmente muitas decisões que seriam exclusivas destes.

Nos últimos anos, o que se vê nos órgãos públicos, de todos os poderes, é a corrupção e o aumento de impostos, para custear a roubalheira generalizada e as benesses públicas para os que aí estão e buscam a reeleição ou se manter nos cargos que ocupam.

Nas próximas eleições temos uma chance única de alterarmos quadro atual, não reelegendo os corruptos.

Publicado por: A Pérola do Mamoré – RO ; Avaliações e Perícias de Imóveis – RSBlog do Clovis Cunha – SP ; Blog do Giulio Sanmartini – SP e MG ; Blog do Meireles – BA ; Bloglovin’ - ; Blog News Antônio Carlos Ribeiro – SPBlog Top Sites -Cala Boca Jornalista – RSCasa da Çogra – RJ ; Consciência Crítica – RJ  ;  Coronel Evandro – RJ ; Debates Culturais – RJ ;  Dig Now - ; Eduardo Homem de Carvalho – RJ ; Expresso MT – MT ; Gente de Opinião – RO ; Horizonte MS – MS ; Iram de Oliveira – RN ; Jornal Bandeirantes News – MSLibertatum – PA ; Manoel Afonso – MSO Cão Que Fuma – Conselho de Sintra – PortugalPassei Aki – SPPedro da Veiga – PR ; Políticos, Partidos Políticos e Ideologias – MSPortal Prudentino – SP ;  Pravda.Ru – Moscow – Rússia ; Prosa & Política – MT ; Que Notícias – RO ; Reminiscências -Resistência Democrática – RJ ; Tabocas Notícias – BATerra Viva – PI ; Velho Comandante – MG ; Vicentina Online – MS ;


Carta aberta a Letícia Spiller

Leticia SpillerPrezada Letícia,

Antes de mais nada, gostaria de dizer que admiro seu talento como atriz e também te considero muito bonita. Infelizmente, você tem endossado certas ideias um tanto estapafúrdias, aplaudido regimes nefastos como o cubano, e alegado que se arrepende de ter usado uma camisa com a bandeira americana no passado, chegando a afirmar que se fosse hoje usaria uma com o Che Guevara.

Ontem, sua casa no Itanhangá foi assaltada por bandidos armados, que lhe fizeram de refém enquanto sua filha dormia logo ao lado. Lamento o que você passou, pois deve ser, sem dúvida, uma experiência traumática. Nossa casa é nosso castelo, e se sentir inseguro nela é terrível, especialmente quando temos filhos menores morando com a gente. A sensação de impotência é avassaladora, e muitos chegam a decidir se mudar do país após experiências deste tipo.

O que eu gostaria, entretanto, é que você fosse capaz de fazer uma limonada desse limão, ou seja, que pudesse extrair lições importantes desse trauma que ajudassem a transformá-la em uma pessoa melhor, mais consciente dos reais problemas que nosso país enfrenta. Se isso acontecesse, então aquelas horas de profunda angústia não seriam em vão.

Como você talvez saiba, sou o autor do livro Esquerda Caviar, que fala exatamente de pessoas com seu perfil (aproveito para lhe oferecer um exemplar autografado, se assim desejar). Artistas e “intelectuais” ricos, que vivem no conforto que só o capitalismo pode oferecer, protegidos pela polícia “fascista”, mas que adoram pregar o socialismo, a tirania cubana ou tratar bandidos como vítimas da sociedade: eis o alvo da obra.

Essa campanha ideológica feita por esses artistas famosos acaba tendo influência em nossa cultura, pois, para o bem ou para o mal (quase sempre para o mal), atores e atrizes são formadores de opinião por aqui. Quando um Sean Penn, por exemplo, abraça o tiranete Maduro na Venezuela, ele empresta sua fama a um regime nefasto, ignorando todo o sofrimento do povo venezuelano. Isso é algo abjeto.

No Brasil, vários artistas de esquerda têm elogiado ditaduras socialistas, atacado a polícia, o capitalismo, as empresas que buscam lucrar mais de forma totalmente legítima, etc. Muitos chegaram a enaltecer os vagabundos mascarados dos black blocs, cuja ação já resultou na morte de um cinegrafista.

Pois bem: a impunidade é o maior convite ao crime que existe. Quando vocês tratam bandidos como vítimas da sociedade, como se fossem autômatos incapazes de escolher entre o certo e o errado, como se pobreza por si só levasse alguém a praticar uma invasão dessas que você sofreu, vocês incentivam o crime!

Pense nisso, Letícia. Gostaria de perguntar uma coisa: quando você se viu ali, impotente, com sua propriedade privada invadida, com armas apontadas para a sua cabeça, você realmente acreditou que estava diante de pobres vítimas da “sociedade”, coitadinhos sem oportunidade diferente na vida? Ou você torceu para que fossem presos e punidos por escolherem agir de forma tão covarde contra uma mãe e uma filha em sua própria casa?

Che Guevara, que você parece idolatrar por falta de conhecimento, achava que era absolutamente justo invadir propriedades como a sua. Afinal, o socialismo é isso: tirar dos que têm mais para dar aos que têm menos, como se riqueza fosse jogo de soma zero e fruto da exploração dos mais pobres. Você se enxerga como uma exploradora? Ou acha que sua bela casa é uma conquista legítima por ter trabalhado em várias novelas e levado diversão voluntária aos consumidores?

Nunca é tarde para aprender, para tomar a decisão correta. Por isso, Letícia, faço votos para que esse desespero que você deve ter sentido ontem se transforme em um chamado para uma mudança. Abandone a esquerda caviar, pois ela não presta, é hipócrita, e chega a ser cúmplice desse tipo de crime que você foi vítima. Saia das sombras do socialismo e passe a defender a propriedade privada, o império das leis, o fim da impunidade e o combate ao crime, nobre missão da polícia tão demonizada por seus colegas.

Te espero do lado de cá, o lado daqueles que não desejam apenas posar como “altruístas” com base em discurso hipócrita e sensacionalista, daqueles que focam mais nos resultados concretos das ideias do que no regozijo pessoal com as aparências de revolucionário engajado. Será bem-vinda, como tantos outros que já acordaram e tiveram a coragem de reconhecer o enorme equívoco das lutas passadas em prol do socialismo.

Um abraço,

Rodrigo Constantino

Obs: um PS foi escrito após tanta repercussão.

Publicado por: Veja