A minha geração

João Bosco Leal

A minha GeraçãoA geração hoje sexagenária foi a que viveu ao mesmo tempo em que, provavelmente, a humanidade passou por suas maiores transformações. Nessa época é que surgiram as maiores mudanças tecnológicas, morais, culturais, musicais e de estilos de vida.

As padarias e os armazéns com os caderninhos de anotações das compras mensais realizados pelos moradores do bairro foram totalmente substituídos pelos supermercados e shopping centers, onde nada é anotado e os pagamentos antes realizados no final do mês, com papel moeda ou cheques, foram substituídos pelos imediatos, com cartões de crédito que os parcelam em várias prestações.

Surgiu o Twist, o Rock’roll, Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley, os Beatles, os Rolling Stones, os Bee Gees, os Carpenters e junto deles, as longas cabeleiras masculinas, as calças justas, as bocas de sino, as minissaias femininas e muitas outras diferenças. O festival de Woodstock foi um marco temporal, do início da pratica de sexo sem preconceitos ou compromissos e de cenas públicas de nudismo.

Em todos os setores essa geração sobreviveu a milhares de erros, acertos, tropeços e recomeços, tanto político – ideológicos como emocionais. Foi nela que se iniciou o uso de drogas como maconha, LSD, heroína e cocaína, mas também foi nesse período que se criaram as melhores músicas e os melhores livros.

Além dos já mencionados, os cantores que ouviam eram Elis Regina, Tom Jobim e Vinícius de Morais; Aretha Franklin, Carole King, Creedence Clearwater Revival, Elton John, James Taylor, Janis Joplin, Joan Baez, Joe Cocker, John Lennon, Paul McCartney, Ray Charles, Santana, Simon & Garfunkel, Stevie Wonder, Tina Turner e muitos mais que poderiam ser aqui citados.

Os livros que leram foram de Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Machado de Assis e Mario de Andrade; Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, George Orwell, Harold Robbins, Hermann Hesse, Irving Wallace, Kahlil Gibran, Mario Vargas Llosa, Pablo Neruda, Richard Bach e muitos outros tão importantes e competentes quanto.

Uma safra de músicos e autores dessa qualidade jamais havia sido reunida em uma única geração.

O homem pisou na lua e depois disso muitas viagens interplanetárias exploratórias – tripuladas ou não – foram realizadas e a quantidade de satélites de comunicação que atualmente contornam o planeta terra é tão grande que já preocupa os cientistas.

As separações matrimoniais antes praticamente inexistentes tornaram-se muito comuns. Os livros, filmes e programas de televisão falam e mostram cenas inimagináveis em décadas anteriores, quando as preferências sexuais e o homossexualismo não eram discutidos sequer privadamente.

No início da década de noventa foram vendidos no Brasil os primeiros computadores de mesa, os PC’s, e só por volta de 1994 surgiram aqueles com 512 MB de HD – poderosos e raros -, mas atualmente os notebooks mais comuns utilizam HDs com um ou dois Terabytes de capacidade e as crianças praticamente “nascem” brincando com equipamentos – como os DVD’s portáteis -, bem mais potentes que os computadores daquela década.

Muitas coisas poderiam ter sido realizadas de outra forma, como a violência que foi utilizada em diversas oportunidades e países ou a – na maioria das vezes – desnecessária destruição do meio ambiente, mas no geral, essa geração foi a que mais gerou progressos científicos, tecnológicos e na produção de alimentos.

A geração hoje sexagenária foi a que mais contribuiu para a evolução da humanidade.

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A simplicidade da educação

João Bosco Leal

Voando com Livros 03A letra da música “Irmãos da Lua”, de Renato Teixeira, diz: “Somos todos irmãos da lua / Moramos na mesma rua / Bebemos no mesmo copo / A mesma bebida crua / O caminho já não é novo / Por ele é que passa o povo / Farinha do mesmo saco / Galinha do mesmo ovo /…/ E o simples resolve tudo / Mas tudo na vida às vezes / Consiste em não se ter nada”.

É maravilhoso ver como um tema já debatido por séculos pode ser resumido pelo autor, de forma tão clara e objetiva. Quantas soluções simples poderiam ser tomadas, em nosso país e no mundo, que certamente minimizariam a miséria, a fome e todos os tipos de desigualdade entre as pessoas.

Desde a invenção da escrita, a partir de quando foi possível documentar a história da humanidade, não se conhece um só dia em que todos os que habitam nosso planeta estivessem em paz. As guerras tribais por caças, alimentos, domínio de territórios ou por recursos naturais ocorreram diariamente, durante todos os séculos, em algum município, estado, país ou continente e, em duas oportunidades, envolveram praticamente todos eles.

Atualmente, além desses motivos, as guerras ocorrem principalmente por interesses políticos e econômicos, como pelo domínio dos campos de petróleo e mais recentemente por bacias hídricas. O mesmo jogo de poder que busca o domínio de determinadas regiões, deixa de lado outras, sem riquezas naturais importantes, fazendo com que milhões de pessoas no mundo sofram com a falta de alimentos, atendimentos mínimos de saúde ou sem moradia.

São também privadas dos mais modernos meios de comunicação – não dirigidos por esses interesses -, livres como a internet e suas redes sociais, o que as fazem continuar naquela situação sem sequer saber o verdadeiro motivo, ou que existem outras possibilidades.

A região Nordeste do país é um exemplo típico de uma verdadeira guerra que se perpetua contra aquela população, impedindo tenha direito à saúde, moradia e educação. Não interessa aos políticos locais – praticamente todos de pouquíssimas famílias -, que ela tenha um mínimo de instrução, que já seria suficiente para entender que o estudo e a geração de um emprego são melhores e lhe garantem mais futuro que uma “bolsa” alguma coisa.

Que direito possuem os políticos que comandam essa região de, por interesses próprios, impedir que grande parte da região já não esteja irrigada com a água do mar dessalinizada, processo já utilizado em diversas partes do mundo e que pude ver pessoalmente em Cancun, onde até cerveja se fabrica com essa água.

Há décadas o governo federal envia para a região, sistematicamente, quantias incalculáveis de recursos, que só chegam até o palanque onde o político faz seu discurso pregando a solução dos problemas. A partir daí os recursos somem, mas a seca, a fome e o analfabetismo continuam.

Os exemplos ocorrem no mundo todo, onde um pequeno grupo de homens, todos muito arrogantes em virtude de seu poderio econômico e militar, julgam-se com poderes para determinar a vida ou a morte de pessoas, como as que ocorrem em grande parte dos países africanos onde, por falta de simples ações políticas, milhões morrem de fome, outros em disputas tribais e outros – por ignorância -, de doenças como a AIDS.

Em qualquer parte do mundo a educação, a cultura e a consequente qualificação profissional resolveria grande parte dos problemas citados, como ocorreu com a Coréia do Sul, que há menos de cinquenta anos resolveu investir maciçamente na educação de seu povo e atualmente possui um dos maiores parques industriais automobilísticos do mundo.

Mas como canta Renato Teixeira, “O simples resolve tudo, por isso, às vezes não se tem nada”.

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A vida bem vivida

João Bosco Leal 

Barco na PraiaNa página social de uma amiga de infância li algo que me chamou a atenção: “Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final… Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome dado, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram”.

Logo me lembrei de como os jovens de minha época sempre foram apaixonados, mas também de como os objetos das paixões variaram muito durante nossas vidas. Eles podiam ser por esportes, times, carros, motos, mulheres, ou qualquer outra que tenhamos vivido.

Os jovens das cidades do interior sempre tiveram opções diferentes e em maior quantidade daqueles nascidos nas capitais. Além dos esportes praticados por ambos, estes também realizavam, nas fazendas, montarias em bezerros para que, na época das exposições de gado, pudessem montar nos “torneios dos cabeludos” – uma categoria distinta da dos peões profissionais, destinada aos filhos dos produtores -, e assim “fazer bonito” diante das meninas.

As próximas paixões eram pelas roupas. Todos adoravam estar bem vestidos, com calças tão justas que eram difíceis de ser vestidas. Posteriormente, além de justas, elas eram de cintura alta, como as dos toureiros espanhóis. Os cabelos eram longos e muito bem cortados. Tudo para “conquistar” as meninas que “paqueravam”.

As “paqueras” viravam paixões com a mesma facilidade com que deixavam de sê-las, pois só duravam entre o início daquela e o surgimento da próxima. Raras se transformavam em amor e, mesmo assim, em um amor mais jovem, com bem menos compromissos que um amor verdadeiro, que normalmente só se consegue na maturidade.

Depois as paixões eram pelos equipamentos de som, instalados nos “consoles” dos carros, as rodas e pneus de “tala larga”, os motores “envenenados”, com dupla carburação e todas as consequências, que só quem já as viveu sabe às quais me refiro. Éramos jovens, com nenhum currículo universitário, e já querendo “preparar” um motor, melhor do quem estudou décadas para produzi-lo.

Já na época dos “cursinhos”, alguns iniciavam sua etapa mais “responsável”, dedicando-se mais aos estudos e pensando em seu futuro, mas muitos continuavam “rebeldes” e só pensavam em “curtir” as novas músicas dos Beatles, dos Rolling Stones. Nesse período, uma minoria insignificante experimentou drogas, raras naquele tempo.

Foi nesse período que todos começaram a traçar camihttp://www.debatesculturais.com.br/a-vida-bem-vivida/nhos distintos, que gerariam reflexos no resto de suas vidas. Os grupos dos estudiosos, que procuraram cursar faculdades e se profissionalizar na área escolhida, o dos que começaram a ler Kahlil Gibran ou outros grandes pensadores, amadurecendo através deles, e o dos “porra-loucas”, que não souberam virar a página dessa época que haviam vivido.

Independentemente de quais foram, é certo que todos se lembram, com saudades, das paixões e das fases da vida que viveram, mas certamente aprenderam, que nenhuma delas pode se misturar à próxima, motivo pelo qual, ao final de cada uma delas, as páginas precisam ser viradas.

As escolhas individuais – a alegria das conquistas e o lamento das perdas delas decorrentes -, fazem o mundo ser como é, totalmente distinto para cada ser humano, que teve a liberdade de optar por como, quando e por quanto tempo viver cada paixão.

A vida bem vivida é aquela repleta de paixões, mas cada uma em sua época.

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Congresso pode produzir conflito legal que garantirá a continuidade do banditismo político

Ucho Haddad

Caso pensado – O Congresso está costurando um golpe jurídico que mais adiante provocará uma confusão legal sem precedentes, apenas e tão somente para beneficiar o banditismo político que grassa no País. Nesta semana, o Senado Federal aprovou um Projeto de Emenda Constitucional que estabelece que o mandato eletivo deverá ser automática e imediatamente cassado quando o parlamentar for condenado pelo Supremo Tribunal Federal.

Essa medida surgiu na esteira do polêmico caso de Natan Donadon, deputado federal por Rondônia condenado pelo Supremo a treze anos de prisão por corrupção, mas que não teve o mandato cassado pelo plenário da Câmara, que decidiu sobre o tema em votação secreta. Tal episódio criou um fato inusitado, pois o Brasil é o primeiro país a ter um presidiário com mandato parlamentar.

Com os desdobramentos do processo do Mensalão do PT, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), anunciou que colocará em votação no plenário da Casa a matéria que extingue o foro privilegiado. Isso porque a Ação Penal 470 deixou claro que políticos corruptos serão julgados em tempo menor se o processo for originário do STF.

Caso a extinção da prerrogativa de foro por função for aprovada, os parlamentares corruptos serão julgados inicialmente na Justiça de primeira instância, tendo, dessa forma, muito mais tempo para procrastinar o processo e manter o mandato eletivo. Contundo, se a sentença condenatória for confirmada pelas instâncias superiores do Judiciário, a cassação do mandato esbarrará na PEC que exige que a condenação seja do STF.

O Brasil há muito precisa de uma profunda assepsia na política, mas os parlamentares insistem em legislar tendo o corporativismo como pano de fundo. É preciso que a sociedade pronta e continuamente, pois do contrário o País se transformará, em caráter definitivo, no paraíso dos bandoleiros.

Publicado por:  Ucho.info


Um dia único

Janio de Freitas

Janio de FreitasUm Sete de Setembro único em 190 celebrados.

Manifestações públicas de insatisfação houve muitas desde 1823, incontáveis em tantas cidades, fossem de sentido mais político ou mais social. Mas as referências oficiais a manifestações prometidas para este Sete de Setembro encobriram a verdadeira razão das medidas preventivas extraordinárias. Não foram manifestações que as motivaram.

Foi o temor, ou a convicção mesmo, de ataques depredadores indiscriminados, de grandes proporções e com ameaças pessoais implícitas, em várias capitais e cidades de porte maior. Uma ação de violência pública que nenhum Sete de Setembro pretextou jamais.

Mesmo as celebrações da dita Independência durante a paranoica ditadura militar não precisaram prevenir além de manifestações individuais e grupais com cartazes e coros, não ataques físicos. Prevenção, aliás, que nunca funcionou, levando às habituais reações de pancadaria e prisão.

Curiosa também, neste ano, é a completa desconexão entre os simbolismos pespegados no Sete de Setembro e as convocações para ocupá-lo sem nelas incluir, sequer remotamente, algo da ideia de nacionalidade, ou de soberania, de independência mesmo.

Pelo visto, não faria diferença se, em vez do Sete de Setembro, a celebração mais próxima fosse o Natal. Ou Finados.

ESPIONAGEM

Ainda que Barack Obama cumpra o prometido a Dilma Rousseff, de remeter-lhe até quarta-feira as considerações devidas sobre a violação das comunicações reservadas da presidente, uma informação fundamental não virá: o governo brasileiro não sabe o que foi captado pelos americanos. Nunca saberá. Nem ao menos sabe desde quando as comunicações da Presidência brasileira eram interceptadas pela espionagem americana.

Um obscuro episódio ganha, no entanto, uma hipótese luminosa com a revelação, por Edward Snowden e pelo jornalista Glenn Greenwald, dessa espionagem. É a bem sucedida intermediação, a pedido de Obama, feita pelo então presidente Lula e pelo turco Tayyip Erdogan no caso do enriquecimento iraniano de urânio, com fins imaginadamente militares. Obtida pelos dois a desejada concessão do Irã para conversações e inspeções, Obama, surpreendentemente, desconheceu-a. Sem uma palavra a Lula e Erdogan.

A rasteira diplomática e a grosseria pessoal nunca tiveram explicação. Agora a espionagem violadora de telefones e e-mails dos governos brasileiro e turco, entre outros, comprovada mas de início ignorado, suscitou uma hipótese: o governo americano captou alguma coisa que tomou, certa ou erradamente, como razão para sustar as operações com Lula e Erdogan.

ESTRANHEZA

Na sessão de quarta-feira do Supremo Tribunal Federal, ficou revelada uma omissão muito esquisita no acórdão que reúne o que se passou no julgamento do mensalão, até às sentenças. O valor do peculato de que o procurador-geral da República acusou o deputado João Paulo Cunha, na denúncia, não foi transcrito no acórdão. Na denúncia, porém, era claro e preciso: R$ 536.440,55.

Sem a definição de tal valor no acórdão, o acusado não teria como restituí-lo aos cofres públicos, o que lhe abriria a possibilidade de passar da condenação em prisão fechada para a condenação em regime semiaberto.

Elaborador do acórdão, o ministro Joaquim Barbosa tentou ainda evitar a citação da importância. A maioria a incluiu.

*Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas. Escreve na versão impressa do caderno “Poder” aos domingos, terças e quintas-feiras.

Publicado por: Folha de SP


A perda da dignidade ou esta M… não tem solução

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

General Valmir Fonseca 01A perda dos mais elementares padrões que deveriam nortear o ser humano é fruto de sua degradação moral e ocorre de forma paulatina.

A deteriorização, por ser de foro íntimo, não dói, pelo contrário, ao desprender – se de determinadas restrições, o individuo ficará apenas sob os reclamos de sua consciência, a qual ouvirá ou não.

Aos pobres de espírito, apartados das leis divinas, os alertas de sua percepção interior de que está cometendo algum erro serão devidamente expurgados.

Aos poucos, o sem – caráter cria uma barreira de falta de escrúpulos, e sem qualquer limite espiritual ou material, segue em frente.

Caberia na falta do patrulhamento individual, o julgamento dos outros para coibir o finório, contudo, se a sociedade não tem meios, nem capacidade para admoestá – lo, o torpe, sob o manto da impunidade, poderá praticar as maiores barbaridades

As sociedades, para distribuir justiça e determinar padrões para os seus integrantes, elaboram regras e leis que emanam da autoridade soberana, e impõem a todos os indivíduos, a obrigação de submeter – se a elas, sob pena de sofrerem as sanções previstas.

Assim, para a convivência cordata e pacífica, na esperança de evitar abusos e distribuir Justiça, as leis foram criadas por uma sociedade para atender os seus anseios comuns.

Evidentemente, pelos diferentes costumes, religiões e particularidades, inclusive históricas, as leis estabelecidas por uma sociedade podem não atender a outras, contudo, os princípios básicos, como a diferença entre o bem e o mal, são universais.

O fenômeno geral de uma sociedade capaz de aceitar viver sob um contexto que agride despudoradamente o espírito da lei é catastrófico. De fato, podemos considerar que esta débil sociedade não tem os atributos para ser nomeada como uma Nação.

Mas quando tal barbárie pode ocorrer?

Em primeiro, devemos considerar que semelhante distorção é fruto de uma paulatina falta de honradez e do abandono dos valores e qualificações que deveriam amparar o ser humano, as quais foram relegadas a um segundo plano.

Hoje, ao assistirmos à permanência no mandato do Deputado Donadon por opção de seus pares, ou pela insuficiência de votos para expurgá – lo do cargo, o Legislativo não apenas posta – se contra o Poder Judiciário que o condenou, e ainda faz muito mais: volta – se contra o próprio espírito da lei.

Nada mais acintoso e deprimente do que testemunhar que a inqualificável decisão do Legislativo, não se baseou em diferente interpretação da lei, mas simplesmente no seu descumprimento.

Não vamos falar sobre a impunidade do Deputado, fato explícito, mas dimensionar a triste realidade que foi a decisão de acobertamento de um parlamentar justamente condenado pelo Poder Judiciário.

Ou seja, além do escabroso atropelamento da lei, tivemos o acintoso e flagrante desafio a outro Poder da República.

Se não chegamos ao fundo do poço, pois tudo sempre pode piorar, estamos próximos.

Infelizmente, a dura realidade é que a partir do jeitoso modo de sobreviver do nativo, convivemos nas últimas décadas com uma permissividade e uma pusilanimidade que foram encaminhados para a perda da dignidade que ora nos cerca.

Portanto, é nítido que os maus – costumes, a falta de honradez e de responsabilidade forjaram uma deformação no cidadão, pronto para aceitar o que hoje engolimos sem a menor reação.

Diante de quadro tão funesto, pouco nos resta de esperança de que este rascunho mal engendrado de Nação, um dia atinja o nível que os poucos não cooptados gostariam.

Resta – nos esperar pelo pior ou revoltar – se contra a esbórnia política, econômica e moral que nos massacra.

Como diz um descrente filósofo que admiramos: “esta M… não tem solução”.

Pelo jeito, só com a volta do Lula.

Ah! Ah!Ah!… Ah!

Brasília, DF, 30 de agosto de 2013

* Valmir Fonseca Azevedo Pereira – Gen. Bda Rfm

Publicado por:  Recebido do autor por e-mail, para publicação


Se os bancos falassem

João Bosco Leal

Banco no Parque Curupira de Ribeirão PretoAo fotografar um banco localizado em um Parque que visitava na cidade de Ribeirão Preto, no interior do estado de São Paulo, uma amiga extremamente querida que me guiava magistralmente no conhecimento cultural daquela cidade, sugeriu que eu escrevesse sobre o mesmo.

Comentamos brevemente sobre quantas histórias já haviam se passado sobre aquele banco, mas diante de tantos detalhes, curiosidades e questionamentos que eu fazia sobre aquele e outros locais que estava conhecendo, o assunto não teve continuidade.

Analisando as fotos da viagem, quando vi a foto do banco lembrei-me de sua proposta e de como, realmente, sobre cada um dos milhões de bancos de praças e parques já ocorreram, foram contadas, discutidas e até articuladas as mais diversas histórias.

Quantas alegrias e tristezas foram narradas e vividas por pessoas que neles se sentaram. Escritores e poetas já os utilizaram para ali escrever seus contos, livros e poesias. Amizades nasceram, foram estremecidas ou até mesmo rompidas por declarações sobre eles realizadas.

Namoros foram iniciados, vividos e terminados, sobre bancos de praças. É imensurável e inimaginável a quantidade de promessas de amor eterno que já foram realizadas por quem sobre eles um dia já esteve.

Quem neles nunca descansou depois de uma longa caminhada, de exercícios físicos ou de um passeio, foi porque certamente nunca visitou um parque ou praça onde normalmente estão localizados.

Trabalhadores das obras próximas deles se utilizam para, apoiando nas pernas sua marmita, se alimentar com a comida vinda de casa, preparada ainda durante a madrugada, enquanto mendigos e pessoas em condição de extrema pobreza os utilizam como cama, onde descansam ou dormem.

Senhores, normalmente já aposentados, neles se sentam quase que diariamente ao lado de seus amigos e conhecidos, para passar seu tempo contando sobre sua vida, suas experiências e seu espanto com a rapidez com que tudo evolui atualmente.

Os mais jovens e dedicados ao aprendizado deles se utilizam para, em companhia de colegas de escola, tirarem dúvidas e estudarem para a próxima prova, partilharem das novas tecnologias e, claro, como todo jovem, combinarem quando e onde será a próxima diversão.

Como eu, milhares neles já se sentaram simplesmente para, passivamente e em silêncio, admirar a natureza que os circundava. Nas praças e parques é comum vermos pessoas neles sentadas, esperando os filhos e netos que brincam na areia ou grama próxima.

Acordos dos mais diferentes tipos foram pactuados por quem neles estava. Ali já se soube sobre um novo emprego que se necessitava, se iniciaram negociações sobre os mais diversos temas e objetos móveis e imóveis foram comprados e vendidos.

Milhares de ações de corrupção foram realizadas por quem neles se assentou para discutir seus detalhes e gente inescrupulosa ou até mesmo criminosa, neles se apoiou para tratar de assuntos ilegais, proibidos e inconfessáveis, como se estivessem simplesmente conversando.

No decorrer dos séculos uma infinidade de articulações políticas, algumas que provocaram até guerras, milhões de mortes e mudaram a história da humanidade, foram realizadas por pessoas que neles estavam sentadas.

Se os bancos falassem, certamente a história seria outra.

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O Exército Brasileiro não teme nem serve ao PT!

* “As manifestações começam pacíficas e, de repente, tornam-se violentas, não é mera coincidência. É tudo planejado. Faz parte do ‘show’ da guerrilha urbana”. (Jorge B. Ribeiro).*

PRONUNCIAMENTO DO EXCELENTÍSSIMO SENHOR GENERAL PAULO CHAGAS EM 29 DE JULHO DE 2013 .

Conjecturas apocalípticas

Caros Amigos

General Paulo ChagasA chegada do PT ao poder e os dez anos de sua permanência na direção do País criaram, além do caos social, moral e econômico, a incerteza quanto ao futuro das instituições republicanas, uma vez que o partido não deixa de alimentar a intenção de transformar o Brasil numa República Socialista Bolivariana.*

A reação recente da sociedade nas ruas, em que pese o “show da guerrilha urbana” que tenta desvirtuá-la, mostra que o povo deu-se conta dos males que representam para seu futuro o aparelhamento do Estado, do primeiro ao último escalão; o domínio completo do aparato sindical; a concentração de meios, a logística, o treinamento, o dispositivo e o incentivo dados às ações e pretensões dos chamados “movimentos sociais”; a concentração de recursos financeiros, vi síveis e invisíveis, nas mãos dos “corruPTos”; a cada vez mais evidente ligação do “ParTido” com o crime organizado; e a coordenação e o controle exercidos pelo Foro de São Paulo sobre os horizontes de seus associados.*

Todo este potencial reunido nos induz a considerar a possibilidade e a probabilidade de que grandes tumultos, demonstrações de força, quebra-quebras, greves ilegais e tudo o mais que compõe o repertório destrutivo da esquerda radical venham a ocorrer, se as pesquisas de opinião indicarem com clareza a derrota de Dilma no processo de reeleição.*

O primeiro objetivo do tumulto será inviabilizar o pleito e o segundo será fazer crer aos desavisados e aterrorizados cidadãos de bem que a situação da ordem pública e a “pacificação nacional” dependem da permanência dela e dos corruPTos no poder!*

Por imposição do partido, com o aplauso dos parceir os do Foro de São Paulo e com o apoio dos eternos oportunistas, no Congresso e fora dele, e dos “intelectuais orgânicos”, sempre a serviço da enganação, “as eleições serão adiadas até que haja clima favorável e seguro para realizá-las”!

Esta conjectura, com certeza, alimenta as mentes insanas dos canalhas que,inebriados pela exacerbação da ambição e pela subestimação da tolerância do povo, imaginam ser possível, desta forma, a instalação definitiva da “ditadura do proletariado” em Terras de Santa Cruz!

Tratam-se apenas de conjecturas, apocalípticas, é verdade, mas acreditar que haja qualquer tipo de honestidade nos propósitos dos homens e mulheres que integram e apoiam o atual governo, dentro e fora do País, é, também,fugir da realidade.

Seja como for, vale o alerta e fica a imagem como válida também para depois do pleito, pois, se derrotados e contrariados em seus anseios, venderão caro a estabilidade e a governabilidade, como fizeram no Rio Grande do Sul durante a administração de Yeda Crusius. Por outro lado, caso sejam ainda vencedores, premidos pelo tempo e pela caótica situação produzida por sua incompetência e reconhecida vilania, tentarão, agravando a desordem e o desmando, consolidar as condições objetivas e, com elas,introduzir a componente subjetiva do golpe.

Em todos os casos, imaginam que a circunstância adversa e a “disciplina” das Forças Armadas farão com que elas, para evitar uma guerra civil, aceitem e respaldem a “solução da casa”, ou, no mínimo, que se omitam diante do golpe.

Ledo devaneio!

Conhecendo e confiando em meus camaradas, sugiro aos que alimentam tais esperanças que façam uma avaliação melhor e mais realista do comprometimento das FFAA, porquanto, caso decidam pela quebra dasestruturas legais da república, as encontrarão aliadas, como sempre, à democracia, ao seu dever constitucional e aos interesses daqueles de onde,legitima e legalmente, demanda o poder. Em nome deles, elas lhes negarão respaldo e, mais uma vez, frustrarão a traição!

*Que Deus nos proteja como protegeu o Papa Francisco durante sua estada no Brasil e que estas “conjecturas” não ultrapassem os limites da presunção!

“O socialismo é o evangelho da inveja, o credo da ignorância, e a filosofia do fracasso.”* 


A três passos da guerra civil

Cel. Gelio Fregapani*

Guerra Civil no Rio de JaneiroOs rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina.

Falta ainda homologar no Congresso e unir as várias reservas indígenas em uma gigantesca, e declarar sua independência. Isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.

Quase tão problemática quanto a questão indígena é a quilombola. Talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.

O MST se desloca como um exército de ocupação. As invasões do MST são toleradas, e a lei não aplicada. Os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja: a convulsão social. Este conflito parece inevitável.

O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.

Pela primeira vez em muito tempo, está havendo alguma discussão sobre a segurança nacional. Isto é bom, mas sem identificarmos corretamente as ameaças, não há como nos preparar para enfrentá-las.

A crise econômica e a escassez de recursos naturais poderão conduzir as grandes potências a tomá-los a manu militari, mas ainda mais provável e até mais perigosa pode ser a ameaça de convulsão interna provocada por três componentes básicos:

— a divisão do povo brasileiro em etnias hostis;

— os conflitos potenciais entre produtores agrícolas e os movimentos dito sociais;

— e as irreconciliáveis divergências entre ambientalistas e desenvolvimentistas.

Em certos momentos chega a ser evidente a demolição das estruturas políticas, sociais, psicológicas e religiosas, da nossa Pátria, construídas ao largo de cinco séculos de civilização cristã. Depois, sem tanto alvoroço, prossegue uma fase de consolidação antes de nova investida.

Isto ainda pode mudar, mas infelizmente os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina. Em havendo, nossa desunião nos prostrará inermes, sem forças para nos opormos eficazmente às pretensões estrangeiras.

A ameaça de conflitos étnicos, a mais perigosa pelo caráter separatista. 

Conflitos Étnicos 1A multiplicação das reservas indígenas, exatamente sobre as maiores jazidas minerais, usa o pretexto de conservar uma cultura neolítica (que nem existe mais), mas visa mesmo a criação de “uma grande nação” indígena. Agora mesmo assistimos, sobre as brasas ainda fumegantes da Raposa-serra do Sol, o anúncio da criação da reserva Anaro, que unirá a Raposa/São Marcos à Ianomâmi. Posteriormente a Marabitanas unirá a Ianomâmi à Balaio/Cabeça do Cachorro, englobando toda a fronteira Norte da Amazônia Ocidental e suas riquíssimas serras prenhes das mais preciosas jazidas.

O problema é mais profundo do que parece; não é apenas a ambição estrangeira. Está também em curso um projeto de porte continental sonhado pela utopia neomissionária tribalista. O trabalho de demolição dos atuais Estado-nações visa a construção, em seu lugar, da Nuestra América, ou Abya Yala, idealizado provavelmente pelos grandes grupos financistas com sede em Londres, que não se acanha de utilizar quer os sentimentos religiosos quer a sede de justiça social das massas para conservar e ampliar seus domínios. O CIMI, organismo subordinado à CNBB, não cuida da evangelização dos povos indígenas segundo o espírito de Nóbrega, Anchieta e outros construtores de nossa nação. Como adeptos da Teologia da Libertação, estão em consonância com seus colegas que atuam no continente, todos empenhados na fermentação revolucionária do projeto comuno-missionário Abya Yala.

O processo não se restringe ao nosso País, mas além das ações do CIMI, a atuação estrangeira está clara:

— Identificação das jazidas: já feito;

— atração dos silvícolas e criação das reservas sobre as jazidas: já feito;

— conseguir a demarcação e homologação: já feito na maior parte;

— colocar na nossa Constituição que tratados e convenções internacionais assinados e homologados pelo congresso teriam força constitucional, portanto acima das leis comuns: já feito;

— assinatura pelo Itamarati de convenção que virtualmente dá autonomia à comunidades indígenas: já feito.

Falta ainda homologar no congresso e unir as várias reservas em uma gigantesca e declarar a independência, e isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.

O perigo não é o único, mas é bastante real. Pode, por si só, criar ocasião propícia ao desencadeamento de intervenções militares pelas potências carentes dos recursos naturais — petróleo e minérios, quando o Brasil reagir.

Quase tão problemática quanto a questão indígena é a quilombola.

Quilombolas 12A UnB foi contratada pelo Governo para fazer o mapa dos quilombolas. Por milagre, em todos os lugares, apareceram “quilombolas”. No Espírito Santo cidades inteiras, ameaçadas de despejo. Da mesma forma em Pernambuco. A fronteira no Pará virou um quilombo inteiro.

Qual o processo? Apareceram uns barbudos depiercings no nariz, perguntando aos afro-descendentes: “O senhor mora aqui?” “Moro.” “Desde 1988?” (o quilombola que residisse no dia da promulgação da Constituição teria direito à escritura). “Sim”. “Quem morava aqui?” “Meu avô.” “Seu avô por acaso pescava e caçava por aqui?” “Sim” “Até onde?” “Ah, ele ia lá na cabeceira do rio, lá naquela montanha.” “Tudo é seu.” E escrituras centenárias perdem o valor baseado num direito que não existe. Não tenho certeza de que isto não seja proposital para criar conflitos.

Tem gente se armando, tem gente se preparando para uma guerra. Temos de abrir o olho também para esse processo, que conduz ao ódio racial. Normalmente esquerdistas, talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.

Certamente isto vai gerar conflitos, mas até agora o movimento quilombola não deu sinal de separatismo.

Os Conflitos Rurais — talvez os primeiros a eclodir.

O MST se desloca como um exército de ocupação, mobilizando uma grande massa de miseráveis (com muitos oportunistas), dirigidos por uma liderança em parte clandestina. As invasões do MST são toleradas e a lei não aplicada. Mesmo ciente da pretensão do MST de criar uma “zona livre”, uma “república do MST” na região do Pontal do Paranapanema, o Governo só contemporiza; finge não perceber que o MST não quer receber terras, quer invadi-las e tende a realizar ações cada vez mais audaciosas.

É claro que os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja; a convulsão social, contando, talvez, com o apoio de setores governamentais como o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo Pedro Stédile: “O interior do Brasil pode transformar-se em uma Colômbia. A situação sairá de controle, haverá convulsões sociais e a sociedade se desintegrará.”

Este conflito parece inevitável. Provavelmente ocorrerá num próximo governo, mas se ficar evidente a derrota do PT antes das eleições, é provável que o MST desencadeie suas operações antes mesmo da nova posse.

O ambientalismo distorcido, principal pretexto para uma futura intervenção estrangeira. 

Já é consenso que o ambientalismo está sendo usado para impedir o progresso, mesmo matando os empregos Caso se imponham os esquemas delirantes dos ambientalistas dentro do governo, com as restrições de uso da terra para produção de alimentos, um terço do território do País ficará interditado a atividades econômicas modernas.

Há reações, dos ruralistas no interior do País, nas elites produtivas e até mesmo em setores do governo, mas as pressões estrangeiras tendem a se intensificar. Se bem que raramente o meio ambiente serviu de motivo para guerra, hoje claramente está sendo pretexto para futuras intervenções, naturalmente encobrindo o verdadeiro motivo, a disputa pelos escassos recursos naturais.

No momento em que a fome ronda o mundo, o movimento ambientalista, a serviço do estrangeiro, mas com respaldo do governo e com apoio de uma massa urbana iludida, chama de “terra devastada” àqueles quadrados verdejantes de área cultivada, que apreciamos ver na Europa e nos Estados Unidos, e impede a construção de hidrelétricas para salvar os bagres. Com a entrada da Marina Silva na disputa eleitoral, nota-se, lamentavelmente, que todos os candidatos passarão a defender o ambientalismo, sem pensar se é útil para o País.

A três passos da guerra civil. 

O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.

Várias fontes de conflito estão para estourar, dependendo da radicalização das más medidas, particularmente do Ministério da Justiça:

— Roraima não está totalmente pacificada;

— o Mato Grosso do Sul anuncia revolta em função da decisão da Funai em criar lá novas reservas indígenas;

— no Rio Grande, os produtores rurais pretendem reagir às provocações do MST;

— Santa Catarina ameaça usar a PM para conter a fúria ambientalista do ministro Minc, que queria destruir toda a plantação de maçã.

Uma vez iniciado um conflito, tudo indica que se expandirá como um rastilho de pólvora. Este quadro, preocupante já por si, fica agravado pela quase certeza de que, na atual conjuntura da crise mundial o nosso País sofrerá pressões para ceder suas riquezas naturais — petróleo, minérios e até terras cultiváveis — e estando dividido sabemos o que acontecerá, mais ainda quando uma das facções se coloca ao lado dos adversários como já demonstrou o MST no caso de Itaipu.

Bem, ainda temos Forças Armadas, mas segundo as últimas notícias, o Exército (que é o mais importante na defesa interna) terá seu efetivo reduzido. Será proposital?

Que Deus guarde a todos vocês.

*O cel. Gelio Fregapani é escritor, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia.


‘Ambiente de pessimismo’

Eliane Cantanhêde*

Eliane Cantanhêde 01BRASÍLIA – Enquanto a presidente Dilma Rousseff insistia no natimorto plebiscito para a reforma política, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, dava entrevista a Fernando Rodrigues, da Folha, defendendo o fim de 14 ministérios.

Parece briga de marido e mulher, mas é disputa entre Poderes e entre partidos aliados, com troca de provocações cada vez mais escancaradas.

Dilma e o ministro Gilberto Carvalho insistem “teimosamente” na estratégia marqueteira de dizer que o governo quer dar voz ao povo, mas o Congresso, esse malvado, não deixa.

Henrique Alves dá o troco. Vocaliza a pressão geral e o pedido formal do PMDB por uma reforma ministerial drástica, em nome da “redução de custos e da austeridade”. A presidente, teimosa, e o governo, esse fraco, é que não têm coragem de fazer.

Convenhamos: nem Dilma está tão desesperada pelo plebiscito nem o nosso PMDB cansado de guerra (e cheio de cargos) parece tão preocupado com a moralidade pública e o corte de ministérios. Ambos apenas dizem o que a população quer ouvir e se esforçam em jogar a culpa um no outro por não dar certo.

O que se vê é Dilma e o Congresso testando forças, num momento de enorme fragilidade mútua e com o PT nitidamente dividido: um PT apoia o governo, o outro PT se alia ao PMDB contra o governo.

Dilma despenca nas pesquisas, fazendo um esforço enorme para mostrar que tudo está ótimo e atribuindo as críticas (à economia e à gestão) a quem quer criar um “ambiente de pessimismo”. Já Henrique deixa claro o grau de compromisso e de lealdade ao Planalto e ao projeto Dilma: entre o governo e o Congresso, ele fica com o Congresso (e com o futuro).

O clima, portanto, é de guerra, mas de uma guerra interna no próprio governo e nos partidos governistas. E quem criou e alimenta o pessimismo não foram e não são os adversários. Foram e são a própria Dilma, o seu governo, a sucessão de erros e sua balofa base (não tão) aliada.

*Eliane Cantanhêde, jornalista, é colunista da Página 2 da versão impressa da Folha, onde escreve às terças, quintas, sextas e domingos. É também comentarista do telejornal “Globonews em Pauta” e da Rádio Metrópole da Bahia.

 Publicado por:  Folha de São Paulo