Pais e filhos

João Bosco Leal

Três Gerações 10Todos têm a oportunidade de crescer aprendendo com seus próprios erros, mas isso pode ser facilitado quando temos a humildade de ouvir os mais velhos e experientes, pois o aprendizado sempre foi doloroso, repleto tropeços e quedas, mas aprender com os erros de outros nos dá a oportunidade de atravessar obstáculos sem neles tropeçar.

A música “Father and Son”, de Cat Stevens, hoje Yusuf Islam, um grande sucesso de minha juventude, resume claramente a dificuldade de diálogo entre as gerações e como, para um pai, é difícil ver os caminhos errados tomados pelo filho que não o ouve.

Por mais que os pais errem na educação de seus filhos, certamente pensavam estar certos ou não teriam agido daquela forma, pois o amor pelos mesmos vem de antes mesmo de nascerem e a eles só desejam o melhor, em todas as áreas.

Há poucos dias um amigo dentista me contava como é comum atender pacientes cujos pais nunca mandavam tratar dos dentes de seus filhos e sim mandavam extraí-los quando surgia algum problema com um deles. É um comportamento inimaginável nos dias atuais, mas aqueles pais de quarenta anos atrás pensavam que, com aquela atitude, seus filhos nunca mais teriam problemas com o dente extraído e que no futuro, quando já não restasse mais nenhum, colocariam uma “dentadura” e teriam o sorriso bonito e sem a possibilidade de novos problemas.

Aquele profissional comentou também que isso atualmente ainda é muito comum no interior do país e que pessoas ainda muito jovens quase já não possuem dentes em decorrência desta cultura existente na mente de muitos pais. Com seu relato, passei a imaginar o trauma vivido por jovens que já quase não possuem dentes e que necessitam retirar os últimos que ainda possuem para iniciar um tratamento que hoje se daria com enxertos ósseos e implantes, para posterior aplicação de uma dentadura fixa.

Entretanto, mesmo em casos radicais como estes, que muitas vezes são verdadeiras mutilações, certamente estes pais só tiveram este comportamento por ignorância, mas jamais por desejarem mal a um filho, pois desconheço um pai que, mesmo ignorante, não ame seus filhos e por eles não dariam a própria vida.

Muitos pais ensinam seus filhos a lutar por tudo o que almejam galgar na vida profissional, emotiva ou financeira, contra injustiças, a respeitar os mais velhos e até sugerem profissões que sabem ser mais lucrativas, proporcionam escolas que os tornariam altamente capazes, mas anos depois, no futuro, se deparam com filhos desanimados, que não lutam pelo que desejam; escolheram profissões que pouco lhes remunera ou que não se dão bem em profissão alguma; incapazes, financeiramente acomodados, emocionalmente infelizes ou, pior, desejando até a morte dos pais para, com isso, herdar o que estes ou seus antepassados construíram.

William Shakespeare já dizia: “Em certos momentos, os homens são donos dos seus próprios destinos” e, paras os pais, é muito difícil não ser ouvido pelos filhos e perceber que sofrem mais do que o necessário por aprenderem com os próprios erros, quando se ouvissem, pelo menos em alguns pontos poderiam ter aprendido com os erros já vividos por outros.

Apesar dessa dificuldade de comunicação ser comum há diversas gerações – com os filhos sempre achando que sabem mais que os pais -, sempre podemos encontrar jovens que se sobressaem, que erram menos e, observando seu comportamento, é fácil perceber que grande parte de seu sucesso se deve à sua humildade de respeitar e sempre ouvir os mais velhos.

Pena que muitos só consigam enxergar esta realidade quando os pais já se foram, ou já são velhos demais para ensinar algo que os transformaria em pessoas melhores, mais capazes e menos sofridas, quando alguns, que talvez dessem mais valor aos seus, não tiveram a felicidade de sequer ouvir a voz do pai.

Falta humildade a quem, ciente do cometimento dos mesmos por seus próprios pais ou por terceiros, aprende somente com os próprios erros.

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Os irresponsáveis ambientalistas

João Bosco Leal

Infraestrutura GeralNa última década, temos assistido surgir em território brasileiro centenas de ONG’s em defesa das mais diversas causas ou com os mais variados interesses, muitas vezes até inexplicáveis, como a de atualmente haver muito mais dessas ONG’s na região Amazônica ou em diversas outras partes do país, atuando em defesa das “nações” indígenas e da preservação de animais, do que nas regiões de extrema pobreza do país, como no Nordeste, onde nossos compatriotas, seres humanos, sobrevivem sem nenhum tipo de infraestrutura nas áreas de saúde, educação, transporte, e muitos deles literalmente passam fome. 

O que se observa por trás desta realidade é que no sertão nordestino elas não encontram tantos minérios ou espécimes do bioma amazônico – que são ilegalmente subtraídos do país, principalmente pelas indústrias multinacionais de medicamentos e por contrabandistas de minérios -, ouro e pedras preciosas. É por isto que existem no Amazonas áreas de acesso totalmente restrito a brasileiros, mas liberado a estrangeiros e também, são estes os motivos de milhares de brasileiros, corruptos ou imbecis – inclusive políticos e funcionários públicos responsáveis pelos órgãos que deveriam cuidar dos índios e do meio ambiente -, continuarem apoiando essas ONG’s.

Há menos de um ano eram comuns os protestos contra a construção de mais Usinas Hidrelétricas no país sob a alegação de que prejudicariam o meio ambiente e que o alagamento da área para uma das represas exigiria a mudança de uma tribo indígena do local que habitam. Entretanto, o clima mudou e estamos enfrentando uma seca que em determinadas regiões já é a maior dos últimos cinquenta anos, enquanto em alguns locais – exatamente da região norte -, diversas cidades estão isoladas pela ocorrência de tantas chuvas, que inundaram as estradas que a elas dão acesso.

Por outro lado, a falta de chuvas já sinaliza um provável racionamento de energia e em algumas regiões, como a da grande São Paulo, também de água. Enquanto isso, mais de seiscentos projetos para a construção – pela iniciativa privada -, de Pequenas Centrais Hidrelétricas, as PCH’s, que, juntas, certamente supririam, com folga, toda a carência energética do país, que inclusive, atualmente, impede até seu desenvolvimento industrial, continuam engavetados na Aneel – Agencia Nacional de Energia Elétrica -, sem sequer serem examinadas.

Existe alguma explicação lógica para, sendo o Brasil o país com o maior potencial hídrico do mundo, estar impedido de progredir por falta de energia elétrica e abastecimento de água potável? Claro que sim: a corrupção. Enquanto falta energia hidrelétrica, além de não progredirmos, temos de suprir nossas necessidades com Usinas Termelétricas, movidas a combustíveis fósseis, cuja geração é muito mais cara e poluente, mas pertencentes a grandes grupos internacionais ou a grandes empresários, amigos ou sócios de grupos políticos corruptos que hoje influem no comando do país.

Constatadas na prática essas necessidades, sumiram da mídia todos os ambientalistas que protestavam contra suas construções e os políticos atrelados a tais ONG’s. Na realidade, esses literalmente bandidos, sempre fingiram defender a minoria indígena, mas só os utilizava como massa de manobra para buscar lucros em benefício próprio, quando deveriam pensar em termos da população geral do país e não se preocupar com a necessidade de mudança de local de uma minoria, em benefício da maioria.

As usinas hidrelétricas e as pequenas centrais hidrelétricas precisam ser construídas em todas as regiões do país, pois além de gerarem energia mais barata e limpa, seus lagos e represas são depósitos de água para abastecer os brasileiros em épocas de seca como a que agora atravessamos.

O país não precisava investir bilhões de dólares na construção de campos de futebol para uma Copa do Mundo ou na construção de portos em outros países, mas esse investimento seria até barato se a população, com esses erros de seus governantes, aprendesse a votar. 

O Brasil precisa ser governado por um patriota, que invista na educação, saúde e infraestrutura, para que o povo, culto, possa progredir e não vote mais nos corruptos que aí estão.

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Quando a vida imita a piada

Diogo Costa*
Diogo Costa“Eu sempre participava de esportes. Daí eu descobri que era possível comprar troféus. Hoje eu sou campeão em tudo”.

A piada é do Demetri Martin, mas serve para simbolizar o modo como muitos brasileiros acham que a sociedade funciona: confundem o mérito da vitória com sua representação ornamental.

Quando dois fenômenos coincidem em incontáveis ocasiões, ficamos tentados a tratá-los como se constituíssem um único fenômeno, a estabelecer a partir das repetidas impressões uma relação de causalidade; ou, quando a causalidade existe, a inverter a direção da causalidade.  São casos de falácia de associação.

Ninguém acreditaria que é possível melhorar a qualidade dos atletas olímpicos brasileiros meramente aumentando a produção nacional de medalhas e troféus.  Mas pessoas bem educadas acreditam que,, ao alterarmos aspectos exteriores às conquistas pessoais e institucionais, estamos de fato conquistando algo além de ornamentação social.

Um exemplo era o que Frédéric Bastiat chamava de sisifismo: a crença no trabalho como um fim em si mesmo. Sociedades contemporâneas se acostumaram a pensar em renda sempre em termos de salário, o pagamento por trabalho realizado.  Mas o trabalho não é um bem último, é um sacrifício instrumental para a obtenção de outros bens. Aumentar o trabalho de uma sociedade não necessariamente melhora a condição de seus membros.

Se todos os computadores do mundo parassem de funcionar ao mesmo tempo, teríamos muito mais trabalho a ser realizado, mas o mundo não ficaria mais rico.  No entanto, políticas trabalhistas focam no aumento de trabalho sem que muitos percebam o empobrecimento trazido para os trabalhadores.

A luta nacional dos movimentos sindicais contra automatização de processos e flexibilidade contratual pode ter perpetuado certos empregos, mas no geral diminuiu a produtividade relativa do trabalhador brasileiro.  Empregos menos produtivos podem significar mais trabalho, mas também significam uma menor recompensa ao trabalho.

A associação entre competição e recompensa também pode ser falaciosa.  Nos esportes, no entretenimento, nos negócios, a competição mais acirrada costuma ser o caminho para as recompensas mais desejadas.  Mas os prêmios mais altos de uma sociedade nem sempre são os mais competitivos.

Uma corrida armamentista pode significar um desfecho infeliz para todos os participantes.  Ou compare a competição para ingresso em universidades.  Muitas vezes vejo os melhores alunos tomar decisões baseadas na competitividade de um curso.  Enquanto a medicina é um curso disputadíssimo no vestibular, o convidativo curso de administração acaba entregando os prêmios mais altos aos seus bons profissionais.

Políticos e empresários também cometem erros similares.  É bastante comum mercados muito competitivos, como o de restaurantes, darem menos dinheiro do que mercados menos competitivos, como o de tecnologia.  Da mesma maneira, ser competitivo em todas as áreas não fortalece uma economia.  Se os políticos conseguissem viabilizar leis que tentassem deixar o Brasil competitivo em todos os setores imagináveis, provavelmente as empresas brasileiras seriam péssimas em todos eles.  A lição da vantagem comparativa é não tentar competir em todas as áreas.

Outra associação bastante comum é aquela feita entre benefícios sociais e crescimento econômico.  Em toda sala de aula do país já foi dito que os países com o maior gasto em assistencialismo social são também os mais ricos do mundo.  Utiliza-se os países escandinavos como exemplos da ideia de que o welfare state enriquece a população.  Mas ocorre que são justamente os países mais ricos que têm mais dinheiro para desperdiçar com assistencialismo.

Países mais pobres, como os da América Latina, punem a si mesmos ao acreditarem que um gasto assistencial em níveis europeus irá corresponder à riqueza em níveis europeus.  É como um carioca morador da Pavuna achar que se mudar para a Av. Atlântica irá lhe garantir a renda milionária de seus novos vizinhos.  Se ele tem essa ambição, ele deveria ver o que os moradores da Av. Atlântica fizeram antes de serem milionários.

Da mesma forma, o Brasil deveria observar o caminho que Suécia e Dinamarca tomaram para que pudessem depois se dar o luxo de redistribuir mais de 25% do seu PIB.

Enquanto os brasileiros acreditarem nas mais variadas falácias de associação, continuaremos achando que proibir a reprovação letiva equivale a educar nossas crianças, que dar cotas raciais equivale a abandonar nossos preconceitos, que abaixar juros por decreto equivale a aumentar nossa poupança interna.

Enfim, continuaremos o cômico hábito de nos dar troféus sem conquistar nenhuma vitória.

Diogo Costa é presidente do Instituto Ordem Livre e professor do curso de Relações Internacionais do Ibmec-MG. Trabalhou com pesquisa em políticas públicas para o Cato Institute e para a Atlas Economic Research Foundation em Washington DC. Seus artigos já apareceram em publicações diversas, como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Diogo é Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Petrópolis e Mestre em Ciência Política pela Columbia University de Nova York.  Seu blog: http://www.capitalismoparaospobres.com

Publicado por:  Instituto Ludwig von Mises Brasil


A reeleição dos corruptos

João Bosco Leal

Eleições 02Na internet circula um texto de autoria indicada como sendo de Bill Cosby, “Tenho 74 anos e estou cansado”, onde o mesmo descreve diversos desvios comportamentais que estão sendo assumidos pelas pessoas das gerações posteriores à dele, mas que as consequências acabam sendo suportadas por todos.

Conta que nada herdou e que trabalhou duro, desde 17 anos de idade e por 50 horas semanais, para chegar onde estava e agora ouvir que tinha de distribuir suas riquezas com as pessoas que não possuem sua ética de trabalho. Que cansara de ver o governo ficar com seu dinheiro e entregá-lo de formas variadas a pessoas que tiveram preguiça de trabalhar como ele.

Diz que foi educado para ter tolerância com outras culturas, mas não entende a violência contra as mulheres praticada pelos seguidores do Islã em seus países e o assassinato de judeus e cristãos, simplesmente por não serem crentes em Alá e, mesmo assim, insistirem em declarações de que essa é a religião da paz.

Ou a permissão da construção de mesquitas e escolas madraças islâmicas – que só pregam o ódio -, em diversos países do mundo, se nenhum deles pode construir uma igreja, templo, sinagoga ou escola religiosa em países árabes, para pregar o amor e a tolerância.

Fala sobre os tóxicos dependentes, fumantes e alcoólatras que fizeram sozinhos a opção por seu estilo de vida, consumo ou vício, mas de alguma forma acabam prejudicando toda a sociedade e não assumem a responsabilidade por suas escolhas e atitudes, além de normalmente ainda culparem o governo de discriminação por seus problemas, como os tatuados e cheios de piercings, que por essas suas escolhas tornaram-se não empregáveis e reivindicam dinheiro do governo, dos impostos, pagos por quem trabalha e produz.

Que cansou, de ver atletas, artistas e políticos de todos os partidos confessarem erros inocentes, estúpidos ou da juventude, mas que na realidade pensam que seu único erro foi ser apanhado, e de pessoas que por não assumirem a responsabilidade por suas vidas e ações, culpam o governo de discriminação por seus problemas.

Alega que, por sua idade, não verá o mundo que essas pessoas estão criando, pois já está no caminho de saída e não de entrada deste, mas fica triste por seus descendentes e sugere que cada um faça sua parte, contrariando o caminho que esses péssimos governantes estão nos proporcionando, por essa ser a única chance de fazer a diferença.

Com as eleições brasileiras se aproximando, penso que realmente temos, individualmente, a chance de mudar tudo o que aí está posto, desde a corrupção generalizada, a imunidade parlamentar, a demora generalizada do poder judiciário em julgar os processos, a aceitação da interferência de um ex Presidente em diversos Poderes e todas as outras falcatruas que diariamente lemos nos jornais ou assistimos pelos noticiários televisivos.

Independentemente de sermos jovens, adultos ou idosos, negros, brancos ou amarelos, de descendência europeia, asiática, americana ou africana, se hoje aqui vivemos e criamos nossos filhos, somos todos brasileiros e é no futuro das nossas próximas gerações de brasileiros é que devemos pensar.

Nada se constrói em um país republicano como o nosso sem o envolvimento de algum dos Três Poderes, ou dos três conjuntamente, mas a total independência destes é fundamental para a sobrevivência da democracia. Entretanto, no Brasil, o Poder Executivo têm, através de nomeações ou de corrupção, interferido diretamente nos outros dois de modo a alterar totalmente muitas decisões que seriam exclusivas destes.

Nos últimos anos, o que se vê nos órgãos públicos, de todos os poderes, é a corrupção e o aumento de impostos, para custear a roubalheira generalizada e as benesses públicas para os que aí estão e buscam a reeleição ou se manter nos cargos que ocupam.

Nas próximas eleições temos uma chance única de alterarmos quadro atual, não reelegendo os corruptos.

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A ostentação

João Bosco Leal

Elegância e OstentaçãoSempre achei que a mulher paulistana é, no geral, a mais elegante do país, principalmente porque nela, a qualquer momento e em qualquer lugar, podemos observar aquela máxima de que o menos é sempre mais. Passeando pela cidade na semana passada, observava o nítido contraste entre estas e as interioranas.

Enquanto a paulistana é uma mulher que nunca peca pelo excesso, facilmente podemos identificar a mulher do interior do país que, pelo contrário, peca pelo mais. São mulheres que se enchem de adereços como colares, anéis, pulseiras, pinturas exageradas, roupas espalhafatosas, utilizam mais do que o necessário e acabam, com isso, ficando vestidas de mau gosto.

Nota-se claramente a paulistana como uma mulher bem resolvida, autoconfiante, que com uma simples calça jeans, uma camisa masculina branca com as mangas arregaçadas e uma pintura discreta a ponto de parecer não estar pintada, está sempre bem arrumada, enquanto a outra, que pretende se passar por elegante logo demonstra que não é.

Desde a década de 70 quando lá residia para estudar sempre observei que as paulistanas, sem deixar de comprar produtos da melhor qualidade, sempre fazem suas compras em locais mais baratos e não tem sequer interesse em lojas mais badaladas, caras.

A mulher interiorana, por outro lado, por ostentação ou por ignorância, logo que chega à cidade procura se dirigir a lugares mais “na onda”, como aquele que até pouco tempo era o maior templo de lojas de grife do país, também conhecido como um local cujos donos sempre estiveram envolvidos em escândalos com a receita federal por sonegação de impostos, o que provocou seu fechamento.

Procuro entender o que leva uma pessoa a esse comportamento, até porque muitas dessas pessoas mal possuem o dinheiro para pagar táxi que a levou até lá, quanto mais para frequentar locais onde todos os valores são exorbitantes.

Conheço muitas pessoas de outros locais do país que realmente possuem dinheiro, muito dinheiro, que não demonstram o menor interesse em fazer compras em um local como esse, que sequer os visitam quando estão na cidade, enquanto outras, com muito menos recursos ou com nenhuma posse, não admitem a idéia de ir a São Paulo sem passar por locais como esses ou como na famosa rua das lojas de grife, a Oscar Freire, mesmo sem nada comprar, mas para contar onde estiveram mostrando fotos em que aparecem sentadas num banco diante de uma de suas lojas e que a moda agora é isso ou aquilo.

Por diversas vezes vi pessoas deslumbradas com a ostentação de uma famosa e das mais antigas apresentadoras da televisão brasileira que usava anéis, pulseiras e colares de milhões de reais, valores inimagináveis para a grande maioria da população brasileira, que se encantavam ao vê-la usando essas jóias verdadeiras e depois buscavam usar bijuterias semelhantes.

Não é a imaturidade que leva pessoas a esse comportamento, até porque conheço pessoas com a idade já bem madura que muito ostentam, apesar de não possuírem nada. São pessoas que não cresceram, continuam crianças, dependentes, principalmente da opinião de terceiros.

Imagino como deve sofrer uma pessoa que para estar bem precisa mostrar que está e com isso torna-se fútil, vazia, enquanto outras que sabem quem são culturalmente, não precisam demonstrar nada, são autoconfiantes e por onde passam são assim reconhecidas.

As pessoas que muito ostentam podem até ser materialmente ricas, mas são culturalmente pobres.

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As páginas dos livros

João Bosco Leal 

Livro 01Assim como páginas dos livros, as histórias de vida de cada um são cheias de surpresas e passam pelas mais diversas fases, como as de ambições, sonhos, sucessos e alegrias ou inabilidades, imprevistos, frustrações e tristezas. 

No processo de aprendizagem da caminhada, muitas vezes os jovens não ouvem os mais velhos e suas lições só são absorvidas com tropeços, quedas, um novo levantar e o recomeço, mas normalmente já arranhados, esfolados, alguns até machucados e fraturados, sem necessidade.  

Esses jovens buscam crescer, aumentar o patrimônio, a casa, o guarda roupas e tentam preparar o terreno para que seus filhos tenham um futuro mais fácil e confortável que os seus, mas a carga vai ficando pesada e nesse período muitos tropeçam, caem ou até mesmo morrem. 

Porém, em menor ou maior quantidade, todos possuem uma força chamada persistência, utilizada na busca do objetivo individual, que os faz suportar as dores, acreditar, e sempre recomeçar em busca da sua felicidade. 

Quando maduros, entretanto, tudo fica mais simples, as necessidades vão sendo reduzidas e por entenderem que não necessitam de tanto e não possuem controle algum sobre o futuro, diminuem a bagagem e a preocupação com o amanhã. 

Para esses mais experientes, as opiniões contrárias que antes aborreciam tanto, agora, mesmo quando sobre eles, já não incomodam ou sequer interessam, pois são as de outros. Aprendem que tudo é consequência da vida que cada um escolheu para si e por isso deixam de julgar qualquer pessoa, atitude ou opção. 

Já sabendo não ser possível ter certeza de nada, abrem mão dessa preocupação e as certezas deixam de fazer falta. O que mais importa aos na fase mais madura é ter paz, sossego, viver sem medo, só fazer o que gostam e para isso, se afastam de tudo e de todos cuja presença os incomoda. 

Com os olhares já mais tranquilos e a mente possuindo menos ilusões, as ocorrências são mais previsíveis e por isso lhes provocam menos sofrimentos. Muitas coisas que antes os chocariam, hoje são corriqueiras, consideradas normais. 

As sociedades vivem em constante transformação e nas páginas do livro da vida de cada um os valores também vão sendo alterados. Passam a ser muito diferentes daqueles de quando jovens ou mesmo dos que observavam até agora.  

O questionamento individual, de como é e como poderia ser sua vida, acontece por uma variedade infinita de motivos e um dos mais comuns é a ocorrência de um acidente grave, que aproxima a pessoa da morte. 

A possibilidade da antecipação do fim provoca em quem o viveu, um novo olhar sobre os seres, animais, insetos, objetos, enfim, sobre a vida, que passa a ser observada nos detalhes de itens talvez antes já vistos, mas não enxergados. Isso a torna mais bela, apaixonante, nele provocando desejos de vivê-la cada vez mais intensamente.  

Esse novo comportamento afeta suas amizades, relacionamentos já existentes e a todos que o cercam, pois sua garra e alegria são contagiantes e estimula seus próximos, principalmente por se lembrarem de como era e como agora é. 

As páginas do passado ou capítulos da sua história não podem ser rasgadas ou puladas, pois foi por ter ocorrido exatamente como ocorreu é que hoje você está aqui e da forma como está.

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Quem não te ama

João Bosco Leal 

Beleza 01É comum sentirmos simpatia, afinidade, indiferença, antipatia e até aversão por pessoas que acabamos de conhecer, mas em uma segunda oportunidade isso pode se inverter e nos simpatizarmos com quem causara má impressão e vice versa.  

Na relação matrimonial, a pessoa com quem vivemos por anos e com ela caminhamos, sorrimos, choramos, partilhamos segredos e que até dias atrás dizia nos amar, hoje pode já não nos querer e procurar em outra, algo que entende não possuirmos. 

Tudo isso provoca dúvidas, angústias, lágrimas e nos faz procurar explicações que só serão encontradas quando buscadas em cada detalhe dos comportamentos passados, arquivados nas milhares de gavetas, das centenas de cômodas, dos diversos quartos de nossa memória. 

Apesar das pessoas normalmente serem muito insistentes em seus questionamentos – principalmente quando queremos ficar quietos e repetimos: “Não é nada…” -, naquele momento buscamos o maior silêncio possível, para podermos mergulhar em pensamentos. 

Essa análise introspectiva provavelmente nos permitiria encontrar, nas passagens ali arquivadas, uma justificativa lógica que nos fizesse entender porque o que pensávamos ser amor – que só deveria dar prazeres e alegrias -, hoje só nos provoca dissabores e tristezas.  

Só após esse mergulho em nossas profundezas estaremos prontos para discutir o assunto com outra pessoa, que entendemos ser a melhor para nos ouvir, que já tenha passado por situação semelhante, seja madura, experiente, confiável, e não por aquela que, mesmo com boas intenções, não foi escolhida para nossas confidências. 

Ela provavelmente nos mostrará que o parceiro é quem está perdendo, que somos muito superiores a ele e merecemos alguém melhor. Que bastaria olharmos para os lados e veríamos que são raros os que possuem nossa saúde, educação, família, padrão social, econômico, cultural e consequentemente, mais possibilidades de sermos felizes e gerarmos felicidade. 

Todos trazem, em suas histórias, alegrias, tristezas, esperanças, frustrações, amigos, desafetos, sonhos, decepções, lágrimas, sorrisos, encontros, desencontros, paixões – retribuídas ou não -, o que não significa sermos piores que alguém, mas que vivemos, pois só quem não viveu plenamente não sentiu todas essas variáveis.  

Os que realmente vivem – e não só passam pela vida -, podem tropeçar e cair diversas vezes, mas se levantam e, mesmo na solidão, estão sempre prontos para continuar sua caminhada, para um recomeço em busca daquele horizonte de onde certamente enxergarão um novo mundo, com mais campos, lagos, flores e cores.  

Por isso continuam sua viagem sem medo, confiando em sua capacidade de superar todas as dificuldades que lhes forem apresentadas. Sabem que mesmo sem buscá-lo, em algum local o amor os abordará e que o encontrado sempre será melhor que o procurado. 

O poeta e escritor rondoniense Nazareno Vieira de Souza, usando o pseudônimo de Augusto Branco disse: “Onde não puderes amar, não te demores”. Portanto, não chame de amor quem te faz lamentar ao invés de te fazer sorrir e não permita que entre os bilhões de habitantes da terra, uma única pessoa possa lhe fazer infeliz. 

Você certamente será mais feliz longe de quem não te ama.

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O par perfeito

João Bosco Leal

Relacionamentos Virtuais 02Após se tornar sua “amiga” através de uma das atuais redes sociais, passaram a trocar diversas informações e descobriram que, apesar das vidas totalmente distintas, sempre distantes e de não possuírem nenhum conhecimento anterior, tinham muitos amigos comuns, seus pais moravam no mesmo prédio de um parente dele e ela conhecia sua família.

Tinham estudado em colégios e faculdades diferentes, mas de níveis semelhantes e moravam em regiões distintas do país. Era um homem oriundo de uma boa família, inteligente, educado, sensível e pelas mensagens que postava, soube que se tornara um escritor.

Seus textos e seus pensamentos, propostas, experiências e maneira de encarar a vida neles expressos, encantavam-na cada vez mais. Todos estes fatos e várias descobertas durante suas trocas de mensagens despertaram seu interesse em conhecê-lo pessoalmente.

Frequentemente o convidava para ir à sua cidade conhece-la, mas com muitos afazeres ele não podia atendê-la. Entretanto, abriu-lhe a possibilidade de se comunicarem através do Skype, onde poderiam se ver e expressar fisicamente seus sentimentos a respeito de qualquer assunto.

Era a abertura que faltava para um novo ingrediente naquele conhecimento: a atração física. Na primeira conversa seus olhos já brilhavam ao vê-lo ali bem diante dela, usando bermuda e sem camisa, sentado na poltrona e diante do teclado onde escrevia as coisas de que tanto gostava.

As conversas começaram com as palavras normalmente trocadas em situações semelhantes: coincidência, conhecidos comuns, mundo pequeno, mas logo foram se tornando mais soltas, desinibidas, como se entre dois velhos amigos que guardavam segredos mútuos.

Pelos monitores eles não só se viram como começaram a se insinuar, se provocar, se mostrar e em muito pouco tempo, se desejavam alucinadamente. Apesar da aparente presença física, estavam a quilômetros de distância, o que a deixava bem mais à vontade.

Livre de preconceitos e tabus, nas ligações seguintes sabia exatamente onde aquilo a levaria e não demorava a erguer, abaixar, se desfazer das roupas e se tocar, deliciando-se com a visão do outro fazendo a mesma coisa até que entre ações, visões, palavras e sussurros estivessem completamente extasiados.

Aquelas cenas passaram a fazer parte de seu quotidiano e diariamente contava os minutos para que a noite chegasse e pudesse, novamente, no silêncio de seu quarto, sentir aquele fogo ardendo em suas entranhas. Era uma paixão diferente, por ela jamais sentida, onde só ocorriam sorrisos e prazeres.

Suas amigas, parentes e conhecidos jamais poderiam imaginar o que estava lhe provocando as mudanças notadas por todos e depois de tantos questionamentos sobre o que a fazia tão feliz, acabou confidenciando para sua melhor amiga, que a fez enxergar a realidade.

Como todos os que escrevem, aquele era um sonhador, que fantasiava suas buscas por uma companheira perfeita e colocava no papel o fruto de sua imaginação, seus sonhos, desejos e prazeres, mas como ela, também possuía seus problemas, ansiedades, medos e frustrações.

Provavelmente também havia sentido muitas paixões – algumas retribuídas, outras não -, possuía vontades físicas e emocionais como todos e talvez estivesse realizando aquelas fantasias com ela simplesmente para, naquele momento, não se lembrar de seu verdadeiro amor.

O par perfeito, sem defeitos e repleto de qualidades, só existe em nossa imaginação.

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Uma retrospectiva aos sessenta

João Bosco Leal 

Relógio do Tempo 02Com bastante frequência, tenho pensado em tudo o que já vivi e no que ainda posso viver. Vejo que em todos os setores cometi erros e acertos, tropecei, cai e recomecei. 

Creio que muitas coisas poderiam ter sido realizadas de outra forma, mas não me arrependo de nenhuma das coisas que e como as fiz, pois se assim não tivesse ocorrido, hoje seria outro, e gosto de quem sou. 

Na educação dos filhos certamente fui mais enérgico do que precisaria, mas o resultado foi excelente e, portanto, desse aspecto só me orgulho. Fazendo uma comparação entre como poderia ter tido maior participação e presença em suas vidas, com a ausência ou pouca companhia que lhes fiz – enquanto buscava angariar recursos para proporcionar-lhes um futuro mais seguro -, percebo que esta é uma das coisas que poderia ter sido diferente, mais equilibrada, mas sem essa ausência eles também não seriam o que hoje são. 

Conheci milhares de pessoas, mas por falta de novas oportunidades – ou de afinidade -, centenas ficaram somente na apresentação. Outras, com as quais simpatizei, foram reencontradas e de muitas me tornei conhecido, com várias me decepcionei e, de raras, me tornei amigo.  

Vi coisas boas e outras nem tanto. Gostaria de rever algumas, outras de nem ter visto, mas as melhores imagens e lugares dos quais trago as mais belas lembranças, sempre tiveram relação com a natureza, com o que o homem nunca produziu ou ainda sequer tocou. 

Apesar de hoje saber que o silêncio jamais comete erros, falei coisas que não devia e, apesar de frequentemente tentar me corrigir, sei que este é um defeito que ainda possuo. Ouvi o que não queria e o que não gostaria de ter ouvido. Palavras agressivas ou sem fundamento foram trocadas milhares de vezes. 

Gostei de muitas mulheres, me apaixonei por várias, mas amei raras. Senti paixões por quem não devia, amei quem não me correspondeu, e fui amado sem corresponder, mas todas as mulheres, sem exceção, me proporcionaram momentos de felicidade e delas hoje só guardo boas ou maravilhosas lembranças. 

Todos gostariam de ter o controle do tempo e do próprio destino, mas a única coisa que se pode afirmar é que depois da noite um novo dia virá e é maravilhoso saber que, se receber a benção de alcança-lo, nele poderei viver momentos diferentes, ter outros desejos, outras opções e conhecer novas pessoas. 

A felicidade não tem data marcada e as surpresas recebidas da vida são imprevisíveis e, portanto, é possível que amanhã conheçamos a pessoa que sempre buscamos, e que nos tornará felizes pelo resto de nossos dias. 

No passado dei e certamente recebi muitos beijos e abraços sem nenhum sentimento, iludi e fui iludido com falsas promessas, mas agora, maduro, posso dar muito mais que beleza e juventude.  

Posso rir e conversar mais, me preocupar menos e agradar sem cobrar, pois sei quem, o que e como conquistei. 

A experiência adquirida nos anos vividos transforma os maduros – homens e mulheres -, em grandes amantes, pois aprenderam que o amor é um conjunto de segurança, amizade, carinho e prazer. E amam com mais calma e delicadeza, mas com o mesmo ardor e desejo dos jovens. 

A maturidade nos torna mais leve e com vontade de recomeçar a cada instante.

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A interpretação

João Bosco Leal

Aprendizado 13 (251x201)O deserto que atravessei / Ninguém me viu passar / Estranha e só / Nem pude ver que o céu é maior / Tentei dizer / Mas vi você / Tão longe de chegar / Mais perto de algum lugar / É deserto onde eu te encontrei / Você me viu passar / Correndo só / Nem pude ver que o tempo é maior / Olhei pra mim / Me vi assim / Tão perto de chegar / Onde você não está / No silêncio uma catedral / Um templo em mim / Onde eu possa ser imortal / Mas vai existir / Eu sei, vai ter que existir / Vai resistir nosso lugar / Solidão, quem pode evitar? / Te encontro enfim / Meu coração é secular / Sonha e desagua dentro de mim / Amanhã, devagar / Me diz como voltar / Se eu disser que foi por amor / Não vou mentir pra mim / Se eu disser deixa pra depois / Não foi sempre assim.

A letra acima, da música Catedral, uma composição de Tanita Tikaran com versão e interpretação de Zélia Duncan, é uma das que, apesar de juntamente com a cantora tê-la cantado centenas de vezes quando era tocada em uma rádio, CD ou em MP3, me fez perceber que só agora, na maturidade, consigo ouvir músicas que antes só havia escutado.

Quantas vezes me senti só, em um deserto, mesmo que entre milhares ou estranho mesmo que entre conhecidos, como diz a música. É um sentimento que atualmente afeta milhões de pessoas que apesar de tecnologicamente próximas de qualquer pessoa do planeta, ao mesmo tempo estão sós, diante de uma máquina que naquele momento as conecta ao mundo através da internet.

Quando conhecemos uma pessoa no mundo virtual, é fácil perceber que aquele alguém está muito longe dali e mais perto de outro lugar. Que há uma distância enorme entre nós e o que vemos perto, mas lá não está.

Essa poderia ser uma das interpretações dadas ao que o autor pretendia dizer, mas claro, cada um interpreta a letra de uma música ou de um texto de acordo com sua ótica, sua realidade, sua história de vida.

Porém, independentemente das possibilidades de interpretações, o importante não é escutarmos as músicas ou lermos os textos, mas ouvi-los e entende-los, para podermos tirar o maior proveito possível do ensinamento ali disponibilizado.

Os detalhes dos arranjos e principalmente as mensagens das letras, nunca foram por mim ouvidos e entendidos como atualmente. Gostava do ritmo de músicas que escutava, e logo imaginava se eram boas para dançar, refletir, namorar, trocar carinhos ou tantas outras ocasiões, mas não as ouvia verdadeiramente. Repetia exaustivamente o refrão de uma música sem nunca pensar no que dizia.

Entretanto, durante a vida aprendemos a interpretar melhor não só as letras das músicas e dos textos. Os livros lidos no passado passam a ter outro significado quando agora revistos. As poesias emocionam mais e as letras das músicas tocam mais profundamente.

Passamos a perceber com maior clareza o que nos é dito ou transmitido através das palavras, atitudes ou mesmo de expressões corporais, e como pequenos detalhes nas comunicações aproxima ou afasta pessoas. Tudo isso nos mostra coisas que antes víamos, mas não enxergávamos.

Aprendemos que, analisando variáveis como condições, local e contexto em que atitudes foram tomadas ou palavras ditas, seria possível entender de forma mais abrangente o que uma pessoa realmente fez ou pretendeu dizer.

A interpretação de hoje certamente não será a mesma de amanhã e o que ontem não podia ser feito, no futuro certamente poderá.

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