Nossas cicatrizes

João Bosco Leal

Cicatrizes da alma 06O tombo quando engatinhava provocou um pequeno corte no queixo da criança. Foi a primeira das muitas cicatrizes que seriam adquiridas ao longo de sua vida.

Depois de aprender a caminhar ela começou a correr, brincar de esconde-esconde, pega-pega, queimada, quando ocorreram novas quedas e surgiram novas marcas, algumas pequenas que logo sumiram e outras maiores, que permaneceram em seu corpo por muito tempo ou mesmo por toda a vida.

Além daquelas surgidas das mais diversas experiências ao longo da vida, as pessoas também adquirem outro tipo de cicatriz, bem mais profundas, não aparentes, provocadas pelas dores emocionais.

Logo nos primeiros anos de escola, quando inicia sua convivência social com outras crianças da mesma faixa etária, ela se decepciona quando têm sua primeira demonstração de interesse – realizada com os olhares ainda tímidos – ou a primeira paixão, não correspondida.

Na escalação da equipe de futebol, vôlei, basquete ou de natação, quando foi preterida por outra pessoa, ocorre uma nova frustração que também deixa marcas, mais ou menos profundas, dependendo da personalidade já adquirida por cada um.

Os resultados obtidos nas disputas, jogos, notas e provas escolares começam a provocar nos indivíduos, um senso de reconhecimento da própria capacidade que se refletirá em vários outros setores, como na carreira profissional e consequentemente no sucesso, pois todos são o resultado dos seus erros e acertos, das palavras que trocaram, do que viram, se lembram ou esqueceram.

Homens ou mulheres, os bem sucedidos serão admirados, enquanto aqueles que não se saíram bem serão praticamente ignorados pela sociedade que os circunda, o que gera maior autoestima nos primeiros, e baixa nos outros.

O fato de serem ou não admiradas por seus resultados nas mais diversas áreas, associado à sua maior ou menor autoestima provocará, nessas pessoas, reflexos inclusive nos relacionamentos com o sexo oposto, pois, inconscientemente e desde os primórdios, os humanos escolhem, para procriação, os vencedores.

Assim, independentemente da beleza física, aqueles que não obtiverem bons resultados, não se sobressaírem, certamente terão outras cicatrizes – agora sentimentais -, por serem preteridos pelos vencedores, muitas vezes sem os predicados físicos que possuem, mas certamente mais competentes em outras áreas.

As marcas físicas, causadas por acidentes do passado, são de feridas curadas, de superações, mas as dores das frustrações, das decepções, sejam com amigos, parentes, paixões ou amores, provocam cicatrizes aparentemente invisíveis, mas geralmente maiores que aquelas provenientes de impactos físicos.

São essas cicatrizes não aparentes e algumas vezes incuráveis – provocadas pelas dores sentimentais, da alma -, que transformam as pessoas, deixando-as tristes, amarguradas, enclausuradas, sem desejos ou novas perspectivas. Para elas não há remédio, a ferida pode até ser curada, mas a estória já ocorreu e a cicatriz existirá. Só lhes restará envelhecer com ela.

As cicatrizes adquiridas são as marcas do que vivemos, mas as invisíveis foram, certamente, as que mais doeram.

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Modismos

João Bosco Leal

ModismosAs modas vão e voltam diversas vezes durante uma geração e quando se fala em vestimentas femininas, as minissaias e os shorts são exemplos disso. As “peruas”, que não se satisfazem com os modelos da moda e, para se sobressaírem, utilizam das vestimentas e acessórios mais chamativos possíveis, também sempre existiram e existirão.

Sentado em uma praça de alimentação de um shopping pensei sobre o assunto e comecei a observar quem por lá passava.

Uma senhora bastante obesa, usava uma calça com as malhas da estampa enormes, imitando uma pele de onça gigante, blusa branca de renda totalmente transparente, que deixava transparecer o sutiã da mesma cor do sapato vermelho de salto enorme e óculos de sol com grandes círculos nas laterais, onde se lia a marca “Prada”.

Um casal de jovens adolescentes loiros, usando botinas de cadarços e meias três quartos, bermudas até o meio das canelas, com cabelos em cachos, como que prensados em blocos, tipo rastafári e as roupas amassadas, rasgadas, parecendo tão sujas quanto os cabelos, causavam a impressão de serem andarilhos que não tomavam banho há tempos.

As já quase centenárias calças jeans ganharam versões antes inimagináveis, como as de cintura tão baixa que praticamente só não deixam à mostra os pelos pubianos porque na moda atual eles praticamente inexistem, ou as que já saem das fábricas rasgadas e que, exatamente por já estarem semidestruídas, custam mais caro que as inteiras.

Calças, sapatos e botas imitando a pele de onça, jacaré, jiboia, cascavel ou qualquer outra cobra e outros que, além disso, têm sobre elas adereços com pedras, são vistas em grande quantidade.

Os calçados são de uma variedade incalculável de modelos, cores e materiais. As solas de couro, borracha ou plataformas de cortiças são as mais comuns, mas há muitas outras. As partes superiores utilizam esses mesmos produtos ou tecidos, de diversas cores e estampas.

Os saltos são tão altos que fica difícil acreditar serem confortáveis e que não provocam muitas dores nas pernas ao final dos dias. Alguns precisam ser fixados acima dos tornozelos, pois os pés que os utilizam ficam em posição tão vertical que não são suficientes para sua fixação.

Os esmaltes agora pintam de cor diferente cada um dos dedos das mãos. Um senhor com mais de sessenta anos passeava com os cabelos pintados com reflexos multicoloridos e de rabinho preso.

Rapazes utilizando bonés com as abas invertidas, viradas para trás, circulam em grande quantidade. Um deles, além desse boné, usava óculos escuros vermelhos, camisa verde limão, tênis cor de rosa.

Muitas pessoas utilizam piercings, com tamanhos, formatos e cores distintos, aplicados em diversos locais do corpo, mas os alargadores dos lóbulos das orelhas também já são vistos com bastante frequência e com diâmetros cada vez maiores.

Todas essas pessoas chamam a atenção pela extravagância, pela coragem de usar o diferente, mas não por estarem bonitas ou bem arrumadas. As que me chamaram a atenção pelo bom gosto, foram as que estavam vestidas de maneira mais discreta possível, calça jeans, camisas ou camisetas de cores neutras, sapatos sem salto e com raríssimos adereços como colares e pulseiras.

A simplicidade sempre estará na moda e se destacará, em todas as ocasiões e gerações.

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A vontade e o medo

João Bosco Leal

O medo e a vontade 06Quando somos crianças e estamos aprendendo a andar, os medos são menores, praticamente inexistentes, por não conhecermos a dor, mas à medida que vamos tomando conhecimento de suas possibilidades e intensidades, os medos começam a se acumular em nossas mentes.

Colocar o dedo em uma tomada pode provocar choque; em um ventilador em movimento, a quebra de um dedo; cair e bater com o rosto no chão pode causar um corte que necessite de pontos cirúrgicos ou até a quebra de um dente.

Todas essas situações provocam dor e ao mesmo tempo, por menores que sejam os ensinamentos delas retirados, nos deixarão mais atentos para o resto de nossas vidas. Porém, ao passar por essas experiências, algumas pessoas adquirem medo das possibilidades, o que poderá atrapalhar muitas atividades.

A maioria dos medos – apesar de para quem os possui serem incontroláveis -, foram adquiridos na infância, por pequenas experiências mal sucedidas, que causaram dor ou por histórias que lhes contaram com o exato propósito de assustá-las.

Outros são transtornos psicológicos – como a claustrofobia -, quando a pessoa não consegue permanecer em ambientes fechados com pouca circulação de ar, como nos elevadores, ônibus, metrôs e trens lotados ou salas fechadas, por exemplo.

Estatisticamente, os cinco meios de transporte mais seguros que existem, por ordem de segurança são: elevador, avião, metrô, helicóptero e navio. Atualmente, entretanto, o carro é eleito como o principal meio de transporte na grande maioria dos países, e entre as incontáveis pessoas que os utilizam, milhares – não só os claustrofóbicos -, têm medo de elevadores, o que – de acordo com os números -, não deveria ocorrer.

Independentemente do motivo, os diversos tipos de medos podem prejudicar, inibir ou até mesmo impedir muitas atividades – profissionais ou emocionais -, da vida de milhares de pessoas. Quantos, por medo de desafinar e serem motivos de risos, já deixaram de experimentar cantar e poderiam, com algum estudo e prática, terem se tornado excelentes cantores? Tocar algum instrumento musical deixou de ser sequer tentado por milhões de pessoas durante os séculos, simplesmente porque as próprias ficavam inibidas em testar suas aptidões.

Por insegurança, medo da recusa ou de se tornar motivo de chacota de quem delas soubesse, infinitas aproximações, abordagens e declarações de amor entre casais deixaram de ocorrer, pois são raros os que atingem maturidade suficiente para declarar seu amor publicamente, sem se importar com o que farão ou pensarão aqueles que, por serem emocionalmente fracassados, certamente deles procurarão rir.

A sociedade em que vivemos cobra demasiadamente – e desde a infância -, o sucesso em todas as áreas, motivo pelo qual durante a vida deixamos de fazer ou de tomar muitas atitudes, por medo de errar, pois somos criados de modo à sempre vencer, no judô, na natação, nas notas da escola, nos negócios, e assim temos dificuldades em aceitar tropeços e quedas, o que é um exagero.

Cair não significa permanecer no chão. Quem cai certamente se levantará e provavelmente terá menos chances futuras de tomar outro tombo. No aprendizado da vida, o que ainda não errou tem mais chances de errar que o que já aprendeu com aquele erro.

Acertar ou errar são consequências, mas nossos medos precisam ser substituídos por nossas vontades.

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A minha geração

João Bosco Leal

A minha GeraçãoA geração hoje sexagenária foi a que viveu ao mesmo tempo em que, provavelmente, a humanidade passou por suas maiores transformações. Nessa época é que surgiram as maiores mudanças tecnológicas, morais, culturais, musicais e de estilos de vida.

As padarias e os armazéns com os caderninhos de anotações das compras mensais realizados pelos moradores do bairro foram totalmente substituídos pelos supermercados e shopping centers, onde nada é anotado e os pagamentos antes realizados no final do mês, com papel moeda ou cheques, foram substituídos pelos imediatos, com cartões de crédito que os parcelam em várias prestações.

Surgiu o Twist, o Rock’roll, Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley, os Beatles, os Rolling Stones, os Bee Gees, os Carpenters e junto deles, as longas cabeleiras masculinas, as calças justas, as bocas de sino, as minissaias femininas e muitas outras diferenças. O festival de Woodstock foi um marco temporal, do início da pratica de sexo sem preconceitos ou compromissos e de cenas públicas de nudismo.

Em todos os setores essa geração sobreviveu a milhares de erros, acertos, tropeços e recomeços, tanto político – ideológicos como emocionais. Foi nela que se iniciou o uso de drogas como maconha, LSD, heroína e cocaína, mas também foi nesse período que se criaram as melhores músicas e os melhores livros.

Além dos já mencionados, os cantores que ouviam eram Elis Regina, Tom Jobim e Vinícius de Morais; Aretha Franklin, Carole King, Creedence Clearwater Revival, Elton John, James Taylor, Janis Joplin, Joan Baez, Joe Cocker, John Lennon, Paul McCartney, Ray Charles, Santana, Simon & Garfunkel, Stevie Wonder, Tina Turner e muitos mais que poderiam ser aqui citados.

Os livros que leram foram de Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Machado de Assis e Mario de Andrade; Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, George Orwell, Harold Robbins, Hermann Hesse, Irving Wallace, Kahlil Gibran, Mario Vargas Llosa, Pablo Neruda, Richard Bach e muitos outros tão importantes e competentes quanto.

Uma safra de músicos e autores dessa qualidade jamais havia sido reunida em uma única geração.

O homem pisou na lua e depois disso muitas viagens interplanetárias exploratórias – tripuladas ou não – foram realizadas e a quantidade de satélites de comunicação que atualmente contornam o planeta terra é tão grande que já preocupa os cientistas.

As separações matrimoniais antes praticamente inexistentes tornaram-se muito comuns. Os livros, filmes e programas de televisão falam e mostram cenas inimagináveis em décadas anteriores, quando as preferências sexuais e o homossexualismo não eram discutidos sequer privadamente.

No início da década de noventa foram vendidos no Brasil os primeiros computadores de mesa, os PC’s, e só por volta de 1994 surgiram aqueles com 512 MB de HD – poderosos e raros -, mas atualmente os notebooks mais comuns utilizam HDs com um ou dois Terabytes de capacidade e as crianças praticamente “nascem” brincando com equipamentos – como os DVD’s portáteis -, bem mais potentes que os computadores daquela década.

Muitas coisas poderiam ter sido realizadas de outra forma, como a violência que foi utilizada em diversas oportunidades e países ou a – na maioria das vezes – desnecessária destruição do meio ambiente, mas no geral, essa geração foi a que mais gerou progressos científicos, tecnológicos e na produção de alimentos.

A geração hoje sexagenária foi a que mais contribuiu para a evolução da humanidade.

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A simplicidade da educação

João Bosco Leal

Voando com Livros 03A letra da música “Irmãos da Lua”, de Renato Teixeira, diz: “Somos todos irmãos da lua / Moramos na mesma rua / Bebemos no mesmo copo / A mesma bebida crua / O caminho já não é novo / Por ele é que passa o povo / Farinha do mesmo saco / Galinha do mesmo ovo /…/ E o simples resolve tudo / Mas tudo na vida às vezes / Consiste em não se ter nada”.

É maravilhoso ver como um tema já debatido por séculos pode ser resumido pelo autor, de forma tão clara e objetiva. Quantas soluções simples poderiam ser tomadas, em nosso país e no mundo, que certamente minimizariam a miséria, a fome e todos os tipos de desigualdade entre as pessoas.

Desde a invenção da escrita, a partir de quando foi possível documentar a história da humanidade, não se conhece um só dia em que todos os que habitam nosso planeta estivessem em paz. As guerras tribais por caças, alimentos, domínio de territórios ou por recursos naturais ocorreram diariamente, durante todos os séculos, em algum município, estado, país ou continente e, em duas oportunidades, envolveram praticamente todos eles.

Atualmente, além desses motivos, as guerras ocorrem principalmente por interesses políticos e econômicos, como pelo domínio dos campos de petróleo e mais recentemente por bacias hídricas. O mesmo jogo de poder que busca o domínio de determinadas regiões, deixa de lado outras, sem riquezas naturais importantes, fazendo com que milhões de pessoas no mundo sofram com a falta de alimentos, atendimentos mínimos de saúde ou sem moradia.

São também privadas dos mais modernos meios de comunicação – não dirigidos por esses interesses -, livres como a internet e suas redes sociais, o que as fazem continuar naquela situação sem sequer saber o verdadeiro motivo, ou que existem outras possibilidades.

A região Nordeste do país é um exemplo típico de uma verdadeira guerra que se perpetua contra aquela população, impedindo tenha direito à saúde, moradia e educação. Não interessa aos políticos locais – praticamente todos de pouquíssimas famílias -, que ela tenha um mínimo de instrução, que já seria suficiente para entender que o estudo e a geração de um emprego são melhores e lhe garantem mais futuro que uma “bolsa” alguma coisa.

Que direito possuem os políticos que comandam essa região de, por interesses próprios, impedir que grande parte da região já não esteja irrigada com a água do mar dessalinizada, processo já utilizado em diversas partes do mundo e que pude ver pessoalmente em Cancun, onde até cerveja se fabrica com essa água.

Há décadas o governo federal envia para a região, sistematicamente, quantias incalculáveis de recursos, que só chegam até o palanque onde o político faz seu discurso pregando a solução dos problemas. A partir daí os recursos somem, mas a seca, a fome e o analfabetismo continuam.

Os exemplos ocorrem no mundo todo, onde um pequeno grupo de homens, todos muito arrogantes em virtude de seu poderio econômico e militar, julgam-se com poderes para determinar a vida ou a morte de pessoas, como as que ocorrem em grande parte dos países africanos onde, por falta de simples ações políticas, milhões morrem de fome, outros em disputas tribais e outros – por ignorância -, de doenças como a AIDS.

Em qualquer parte do mundo a educação, a cultura e a consequente qualificação profissional resolveria grande parte dos problemas citados, como ocorreu com a Coréia do Sul, que há menos de cinquenta anos resolveu investir maciçamente na educação de seu povo e atualmente possui um dos maiores parques industriais automobilísticos do mundo.

Mas como canta Renato Teixeira, “O simples resolve tudo, por isso, às vezes não se tem nada”.

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Missão do Avô

João Baptista Herkenhoff*

João Baptista Herkenhoff 01Neste mundo em que se exalta a juventude como um estado eterno, o vigor e a beleza como referências existenciais, a pouca idade como síntese de todos os valores, nesta época, neste mundo de hoje, algum papel existe para ser desempenhado pelo Avô?

Num tempo que se alicerça no materialismo e no imediatismo, terá sentido cultuar essa figura que, antigamente, era mítica? Dentro de uma economia de mercado, que tem no pragmatismo a sua diretriz, é cabível consumir recursos públicos com um grupo etário que pouco produz?

Numa quadra da História em que se fala, de peito aberto e sem qualquer pudor, em reduzir direitos dos aposentados, numa quadra como esta, Avô não é reminiscência de uma tábua moral ultrapassada?

Se não nos debruçamos com seriedade diante das indagações acima, responderemos NÃO às três primeiras perguntas e SIM somente à última.

Suponho que as três respostas afirmativas e a única negativa serão dadas, quase que mecanicamente, por inúmeras pessoas, mesmo pessoas bem intencionadas e de caráter. Se essas pessoas não estiverem com o espírito preparado para refletir, a ideologia dominante terá inoculado no subsconsciente as respostas equivocadas que apontamos. Isto porque essa ideologia despreza a Ética, quer resultados, e não reflexão filosófica.

Mas devemos remar contra a maré e fazer Filosofia. Cultivar não apenas a matéria, que perece, mas também o Espírito, que transpõe o tempo.

Os Avós têm um duplo papel: na Família e na Sociedade.

Na Família os Avós são conselheiros dos pais e dos netos. Podem transmitir ao vivo a experiência que nenhum livro, ou programa radiofônico, ou televisivo, é capaz de traduzir. Os Avós são apoio em inúmeras situações e emergências. Integram a Família. Feliz da Família na qual comparecem os Avós.

Na Sociedade, os Avós transmitem ao presente a herança do passado. São depositários da Sabedoria acumulada através de milênios.

A Bíblia que, além de livro religioso, é um livro destinado a apontar horizontes que merecem ser seguidos, por crentes e não crentes, realça e exalta a missão dos avós. Lóide converteu-se ao Cristianismo durante a primeira viagem missionária de Paulo. Graças ao ensino e ao exemplo de Lóide tivemos, no seu neto Timóteo, um dos maiores apóstolos dos primeiros tempos.

Até os pequenos gestos revelam a atitude respeitosa ou desrespeitosa para com os idosos. Ceder o lugar ou a passagem ao idoso, mostrar-se disponível para ajudar nas mais comezinhas situações, tudo isto demonstra o nível de educação de uma comunidade no relacionamento com os avós.

Ao escrever este texto penso nos jovens que são os sucessores das gerações que partem. Precisam esses jovens de orientação, para escolher caminhos que contrastam com o modelo social dominante, que dá mais relevância ao ter do que ao ser.

Sempre vale a pena tentar acertar nas escolhas que o cotidiano nos impõe. Erros podemos praticar porque, como diz a sabedoria popular, errar é humano. Mas se erramos, com retidão de propósito, o erro será apenas fruto de nossa falibilidade e das contingências que marcam nosso destino.

*João Baptista Herkenhoff, 77 anos, é Juiz de Direito aposentado, palestrante e escritor. Reside no Espírito Santo. Autor, dentre outros livros, de: Curso de Direitos Humanos (Editora Santuário, Aparecida, SP). E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br


A vida bem vivida

João Bosco Leal 

Barco na PraiaNa página social de uma amiga de infância li algo que me chamou a atenção: “Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final… Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome dado, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram”.

Logo me lembrei de como os jovens de minha época sempre foram apaixonados, mas também de como os objetos das paixões variaram muito durante nossas vidas. Eles podiam ser por esportes, times, carros, motos, mulheres, ou qualquer outra que tenhamos vivido.

Os jovens das cidades do interior sempre tiveram opções diferentes e em maior quantidade daqueles nascidos nas capitais. Além dos esportes praticados por ambos, estes também realizavam, nas fazendas, montarias em bezerros para que, na época das exposições de gado, pudessem montar nos “torneios dos cabeludos” – uma categoria distinta da dos peões profissionais, destinada aos filhos dos produtores -, e assim “fazer bonito” diante das meninas.

As próximas paixões eram pelas roupas. Todos adoravam estar bem vestidos, com calças tão justas que eram difíceis de ser vestidas. Posteriormente, além de justas, elas eram de cintura alta, como as dos toureiros espanhóis. Os cabelos eram longos e muito bem cortados. Tudo para “conquistar” as meninas que “paqueravam”.

As “paqueras” viravam paixões com a mesma facilidade com que deixavam de sê-las, pois só duravam entre o início daquela e o surgimento da próxima. Raras se transformavam em amor e, mesmo assim, em um amor mais jovem, com bem menos compromissos que um amor verdadeiro, que normalmente só se consegue na maturidade.

Depois as paixões eram pelos equipamentos de som, instalados nos “consoles” dos carros, as rodas e pneus de “tala larga”, os motores “envenenados”, com dupla carburação e todas as consequências, que só quem já as viveu sabe às quais me refiro. Éramos jovens, com nenhum currículo universitário, e já querendo “preparar” um motor, melhor do quem estudou décadas para produzi-lo.

Já na época dos “cursinhos”, alguns iniciavam sua etapa mais “responsável”, dedicando-se mais aos estudos e pensando em seu futuro, mas muitos continuavam “rebeldes” e só pensavam em “curtir” as novas músicas dos Beatles, dos Rolling Stones. Nesse período, uma minoria insignificante experimentou drogas, raras naquele tempo.

Foi nesse período que todos começaram a traçar camihttp://www.debatesculturais.com.br/a-vida-bem-vivida/nhos distintos, que gerariam reflexos no resto de suas vidas. Os grupos dos estudiosos, que procuraram cursar faculdades e se profissionalizar na área escolhida, o dos que começaram a ler Kahlil Gibran ou outros grandes pensadores, amadurecendo através deles, e o dos “porra-loucas”, que não souberam virar a página dessa época que haviam vivido.

Independentemente de quais foram, é certo que todos se lembram, com saudades, das paixões e das fases da vida que viveram, mas certamente aprenderam, que nenhuma delas pode se misturar à próxima, motivo pelo qual, ao final de cada uma delas, as páginas precisam ser viradas.

As escolhas individuais – a alegria das conquistas e o lamento das perdas delas decorrentes -, fazem o mundo ser como é, totalmente distinto para cada ser humano, que teve a liberdade de optar por como, quando e por quanto tempo viver cada paixão.

A vida bem vivida é aquela repleta de paixões, mas cada uma em sua época.

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Meus sonhos

João Bosco Leal

Virando Páginas 01Como homem, tanto na vida afetiva como profissional, sempre tive minhas dúvidas, angústias, medos e inseguranças.

Após o amadurecimento, em muitas coisas tenho pensado. No que já vivi e no que ainda posso viver. Nas coisas das quais me orgulho e nas que poderia ter feito diferente.

Nos dias, únicos, aos quais jamais poderei voltar. Nas coisas agradáveis, outras nem tanto e em fatos verdadeiramente tristes que em alguns deles todos nós já vivemos.

Entendi que as muitas paixões e os coleguismos que tive, podem sim, ocorrer em grande quantidade, mas possuem pouquíssima durabilidade e pouco ou nada nos acrescentam.

As amizades verdadeiras que construí foram raríssimas, mas procuro, frequentemente, irrigar as que criaram raízes.

Entretanto, por mais que tenha tentado, dos amores que ocorreram, não consegui manter nenhum.

Fazendo essa retrospectiva, entendo claramente que não nos basta viver uma grande história de amor. É preciso que ele sobreviva a várias alegrias e tristezas, primaveras e invernos, chuvas e secas, para ser considerado verdadeiro.

Aprendi que quando amei verdadeiramente, não consegui ser correspondido, e, do mesmo modo, não correspondi a quem, penso, talvez tenha me amado com a mesma intensidade.

Precisei sentir a ausência, para querer a presença que antes tinha. Mas também precisei demonstrar isso de todas as formas – e perceber a indiferença -, para entender que não se ama só.

Entendi que independentemente de todas as zonas de conforto que possamos ter ao lado de nossos amigos, parentes, filhos e netos, o amor jamais poderá ser comparado a nenhum desses sentimentos.

Ele é diferente, mais sublime, real, e inclui outros – como amizade, cumplicidade e companheirismo -, que não são encontrados naqueles.

Que os proporcionadores dessas saciedades temporárias um dia se afastarão, para cuidar da sua própria vida, sobrando então o vazio da solidão, que só poderia ser preenchido por um amor verdadeiro.

Por diversas vezes tentei fazer com que entendessem isso, mas como, afinal, jamais se conseguirá comprovar os reais pensamentos e sentimentos de alguém, percebo também, que acaba ficando o dito pelo não dito.

O escritor italiano Cesare Pavese – 1908 a 1950 -, disse: “O amor tem a virtude, não apenas de desnudar dois amantes um em face do outro, mas também cada um deles diante de si próprio”.

Guardo então as lembranças, os momentos, os cheiros e as saudades que, como os tombos, machucados, quebraduras e cicatrizes – físicos ou emocionais -, fazem a história de cada um. 

Mas não desisto, sou movido por sonhos e não por lamentos.

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A perda da dignidade ou esta M… não tem solução

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

General Valmir Fonseca 01A perda dos mais elementares padrões que deveriam nortear o ser humano é fruto de sua degradação moral e ocorre de forma paulatina.

A deteriorização, por ser de foro íntimo, não dói, pelo contrário, ao desprender – se de determinadas restrições, o individuo ficará apenas sob os reclamos de sua consciência, a qual ouvirá ou não.

Aos pobres de espírito, apartados das leis divinas, os alertas de sua percepção interior de que está cometendo algum erro serão devidamente expurgados.

Aos poucos, o sem – caráter cria uma barreira de falta de escrúpulos, e sem qualquer limite espiritual ou material, segue em frente.

Caberia na falta do patrulhamento individual, o julgamento dos outros para coibir o finório, contudo, se a sociedade não tem meios, nem capacidade para admoestá – lo, o torpe, sob o manto da impunidade, poderá praticar as maiores barbaridades

As sociedades, para distribuir justiça e determinar padrões para os seus integrantes, elaboram regras e leis que emanam da autoridade soberana, e impõem a todos os indivíduos, a obrigação de submeter – se a elas, sob pena de sofrerem as sanções previstas.

Assim, para a convivência cordata e pacífica, na esperança de evitar abusos e distribuir Justiça, as leis foram criadas por uma sociedade para atender os seus anseios comuns.

Evidentemente, pelos diferentes costumes, religiões e particularidades, inclusive históricas, as leis estabelecidas por uma sociedade podem não atender a outras, contudo, os princípios básicos, como a diferença entre o bem e o mal, são universais.

O fenômeno geral de uma sociedade capaz de aceitar viver sob um contexto que agride despudoradamente o espírito da lei é catastrófico. De fato, podemos considerar que esta débil sociedade não tem os atributos para ser nomeada como uma Nação.

Mas quando tal barbárie pode ocorrer?

Em primeiro, devemos considerar que semelhante distorção é fruto de uma paulatina falta de honradez e do abandono dos valores e qualificações que deveriam amparar o ser humano, as quais foram relegadas a um segundo plano.

Hoje, ao assistirmos à permanência no mandato do Deputado Donadon por opção de seus pares, ou pela insuficiência de votos para expurgá – lo do cargo, o Legislativo não apenas posta – se contra o Poder Judiciário que o condenou, e ainda faz muito mais: volta – se contra o próprio espírito da lei.

Nada mais acintoso e deprimente do que testemunhar que a inqualificável decisão do Legislativo, não se baseou em diferente interpretação da lei, mas simplesmente no seu descumprimento.

Não vamos falar sobre a impunidade do Deputado, fato explícito, mas dimensionar a triste realidade que foi a decisão de acobertamento de um parlamentar justamente condenado pelo Poder Judiciário.

Ou seja, além do escabroso atropelamento da lei, tivemos o acintoso e flagrante desafio a outro Poder da República.

Se não chegamos ao fundo do poço, pois tudo sempre pode piorar, estamos próximos.

Infelizmente, a dura realidade é que a partir do jeitoso modo de sobreviver do nativo, convivemos nas últimas décadas com uma permissividade e uma pusilanimidade que foram encaminhados para a perda da dignidade que ora nos cerca.

Portanto, é nítido que os maus – costumes, a falta de honradez e de responsabilidade forjaram uma deformação no cidadão, pronto para aceitar o que hoje engolimos sem a menor reação.

Diante de quadro tão funesto, pouco nos resta de esperança de que este rascunho mal engendrado de Nação, um dia atinja o nível que os poucos não cooptados gostariam.

Resta – nos esperar pelo pior ou revoltar – se contra a esbórnia política, econômica e moral que nos massacra.

Como diz um descrente filósofo que admiramos: “esta M… não tem solução”.

Pelo jeito, só com a volta do Lula.

Ah! Ah!Ah!… Ah!

Brasília, DF, 30 de agosto de 2013

* Valmir Fonseca Azevedo Pereira – Gen. Bda Rfm

Publicado por:  Recebido do autor por e-mail, para publicação


Nossas perdas

João Bosco Leal

Olhar de TristezaNa cultura competitiva em que somos criados, o sentimento de perda, em qualquer aspecto, é de aceitação extremamente difícil para todos, a ponto de, ainda muito pequenos, não gostarmos que outras crianças, por mais próximas que sejam, peguem nossos brinquedos, roupas, ou qualquer coisa que consideramos “nossa”.

Isso sempre ocorreu com coisas que as crianças atuais sequer conheceram, como uma bolinha de gude, as bonecas de pano anteriores à era Barbie, um peão, uma casinha de bonecas, um papagaio, um carrinho de rolimã, um trenzinho elétrico, as figurinhas dos álbuns ou qualquer outro brinquedo das crianças da minha geração ou anteriores.

Em seguida, as disputas ocorriam nas mais diversas áreas, como natação, judô, balé, e também aí aqueles que perdiam ficavam muito tristes e até choravam por haverem perdido para outras crianças da mesma idade. Na escola elas eram pelas notas, pela escolha de quem participaria do time de futebol, da representação teatral ou da apresentação de balé.

Na juventude, pela pessoa por quem estávamos “apaixonados”, e a perda de uma paixão para outro jovem era bastante dolorosa para aqueles ou aquelas que a perdiam. O sentimento de “perda” daquela pessoa podia, inclusive, criar barreiras psicológicas que dificultavam novas buscas, pelo medo de novamente se passar por aquela situação.

Já na fase adulta, as paixões são aquelas que podem ser sentidas de forma alegre, divertida e por dezenas de vezes durante a vida, que provocam muita felicidade em quem as vive, e só se sente sua perda até o início da próxima.

Poucos, entretanto, são os que conseguem transformar essa paixão em um amor verdadeiro, aquele para quem se deseja dar mais do que receber. Alguém de quem se quer a companhia em todos os momentos de nossas vidas, ao lado de quem nos sentimos em paz, que nos entende, apoia, protege e satisfaz. A pessoa com quem desejamos estar até os últimos dias de nossa vida.

Mas nenhum desses sentimentos provoca tanto impacto na vida de uma pessoa como a morte de um ente querido muito próximo, seja seu amor, o pai, a mãe, um irmão ou filho. Por mais que, desde o nascimento, saibamos que isso ocorrerá, esse é um sentimento que, quando acontece, provoca extrema dor.

Os ocidentais estão culturalmente menos preparados para a morte que os orientais e em decorrência disso, essa ocorrência neles provoca dores imensuráveis e reações individuais distintas, que os afetarão pelo resto de suas vidas.

Milhões já passaram pela vida sem nenhuma perda importante, muitos perderam bastante, mas outros ainda não sentiram algo tão profundo como a morte de quem ama.

Quando um relacionamento onde existia um amor verdadeiro chega ao fim, raramente um deles consegue encontrar um novo amor como aquele, mas quando um dos dois morre, é muito comum o breve falecimento daquele que ainda sobrevivia. Muito difíceis são também as mortes dos pais e irmãos, mas pior ainda é a de um filho, pois pelo menos cronologicamente, ela é inimaginável.

Entretanto, a única maneira para os que já os perderam poderem sobreviver, é olhar para os lados, pois perceberão que milhões perderam ainda mais, em quantidade ou em proximidade. Os que perderam o pai, verão que muitos perderam pai e mãe no mesmo instante e os que perderam um filho, verão que muitos perderam vários, ou todos eles.

Muitos já perderam muito, mas pouco, diante dos que já perderam mais.

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