Os irresponsáveis

João Bosco Leal

Irresponsável xDurante nossas vidas, conhecemos ou mesmo já nascemos próximas de algumas pessoas diferentes da grande maioria. São pessoas que, ao que parece, vivem outra vida, diferente da dos outros, onde acontece ou deixa de acontecer tudo de forma absolutamente diversa do que ocorre com a maioria das outras pessoas.

São pessoas que vivem da imaginação, normalmente bastante distante da realidade, onde tudo é possível, nada é difícil e tudo se resolve da maneira mais fácil, desde que, claro, tudo ocorra de acordo com o que elas esperam ser a solução para quaisquer dos mais diferentes acontecimentos da vida.

Quando imaginam algo, mesmo sendo algo que levará anos para ser construído, já começam a falar sobre a obra pronta e de como ficou bonita aquela planta no jardim antes de o primeiro tijolo ser assentado. Apontam detalhes do seu imaginário como se pudessem tocá-lo naquele momento de sua narrativa.

Por parecer não serem afetadas por nada do que para os outros é real, são pessoas carismáticas,  muito simpáticas, sorridentes, leves, e nada do que incomoda, irrita ou enerva as outras pessoas parece atingi-las. Acreditam em tantas facilidades que acabam deixando de cumprir, na vida real, detalhes que para os outros são de fundamental importância, como as contas do dia a dia, desde água, luz, telefone, IPVA e IPTU, até as obrigações perante o fisco. Imaginam que, se forem cobradas, sempre poderão fazer um acordo e pagar menos ou em melhores condições.

Passam sua vida esperando por algo como anistias de multas e juros para aí sim negociar um pagamento de longo prazo e, mesmo assim, costumam não cumpri-lo. Imaginam que, com o passar do tempo, dívidas como as federais, mesmo quando acionadas na Justiça, se forem proteladas através de artifícios jurídicos, prescreverão, o que, sabemos todos, nem sempre ocorre.

Acabam, com isso, se complicando contábil ou juridicamente, sendo desacreditadas moralmente, tendo situações constrangedoras – como a de ser cobrado ou notificado por oficiais de justiça diante da esposa ou filhos – e nem assim parecem se incomodar ou buscar mudanças, pois continuam acreditando que tudo se resolverá facilmente.

Os problemas começam a se avolumar cada vez mais, de modo a se tornarem insolúveis e elas acabam sendo obrigadas a viver sem nada em seu nome, sem crédito, contas correntes, cartões de crédito e tudo o que é bastante comum para todos os que as cercam, mas que vivem a realidade.

Nesse ponto, começa a ocorrer algo ainda mais triste, pois sempre fugindo da realidade, colocam bens e fazem compras em nome de outras pessoas, desde pequenos objetos a imóveis, e normalmente não cumprem também com a responsabilidade sobre aqueles bens, prejudicando agora aqueles que, pensando ajudar, permitiram que algo de terceiros fosse colocado em seu nome.

E o sonhador inicia agora um novo ciclo, onde começará a dar, para os seus normalmente muito próximos, o prejuízo financeiro, moral e ético que, em seu nome, já foi totalmente consumado, machucando, assim, pessoas como filhos, esposas, irmãos e mães.

Entretanto, quando é ele o credor, fica horrorizado quando alguém não o paga no exato vencimento da dívida, falando mal e xingando este seu devedor, esquecendo-se completamente, no entanto, de que é exatamente aquele o seu comportamento, e que, com ele, está destruindo vidas e sonhos reais daqueles a quem prejudicou.

Os irresponsáveis não aceitam quando a irresponsabilidade de outros os atinge.

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9 Comentários Deixe o seu comentário

  1. Ramão Ney Magalhães disse:

    JBLeal…parabens e obrigado pela lucidez de tuas considerações…abs. Ney

  2. Olivia disse:

    Conheço alguém exatamente assim, o tempo passa, e eles não compreendem o motivo pelo qual as pessoas avançam, crescem e eles permanecem na mesma e ainda por cima queixam-se por “ninguém” os ajudar. Triste, vida vazia.

  3. Márcia Abreu disse:

    Excelente e pontual seu texto !!!
    Abs.
    Márcia

  4. Edilene disse:

    Bom dia João. Essa questão de analisarmos a personalidade dos outros, é profunda.
    Exatamente porque, cada um de nós, escolhe um caminho para construir a evolução em seus diversos contextos: moral, espiritual, psicológica…
    Já tive uma visão mais exclusivista, querendo enquadrar todos na minha “verdade”. Ate que percebi que a minha verdade, era relativa ao meu ponto no eterno caminho da vida. E que todos, assim como eu, tem o direito ao erro, as escolhas, porque essa construção é individual.
    Os sonhadores tem mesmo a parte irresponsável, mas ao mesmo tempo, toda escolha nasce primeiro no sonho, no pensamento. É o pensamento a grande força que move a vida. E se pensarmos a Terra como um grande globo, fechando um ângulo de 360º, onde cada um de nós, se encontra em um determinado lado, vendo nesse momento, a vida com o que nós é permitido desvendar, logo amanhã ou no próximo minuto, estaremos a um passo adiante, descobrindo novos elementos do caminho. Hoje, minhas reflexões todas, as que descubro, as que me são sugeridas pelos diversos canais de toda hora, pela percepção ou sentimento que despertam, são lições preciosas que interiorizo para vê-las a luz do ângulo onde me encontro agora. Se me incomoda, a dificuldade é minha. Se já consigo tolerar, a dificuldade ainda é minha, mas já tenho maior disposição para o terceiro passo: a compreensão e aceitação de que todos, estão certos em seu ponto do caminho. E que ninguém tem a obrigação de olhar o mundo com meu olhar. E a mais preciosa lição: para aprender, ampliar limite, mudar o passo, não existe nada melhor do que conviver.

  5. Izaura Corbucci disse:

    Oi João,
    Como a Edilene acho que a vida é feita de escolhas, que podem ser conscientes ou não. Melhor que sejam conscientes, pois teremos que arcar com as consequências conforme o caminho que decidimos percorrer, não?

  6. Mário Ameida Costa disse:

    Acho muito bom , peca por reflectir só um aspecto comercial , quando esse tipo de pessoas têm outras facetas que muito prejudicam a vida familiar deles próprios e a dos parentes mais próximos que muitas das vezes os sustentam , quase até ao final dos seus dias . Peca por não alertar , que este tipo de pessoas passam todo o tempo a esconderem-se atrás de subtefurgios ,para não trabalharem , ou têm defeitos antisocaveis ou vícios de delinquência , e que apesar de tudo são um peso para a sociedade por levarem vidas fúteis .

  7. Mário Ameida Costa disse:

    Gostava imenso de ler algo mais elaborado sobre este tipo de pessoas , para que sirva de alerta a todos os pais que não sabem distinguir afecto e amor com protecionismo desmedido e que faz com que este tipo de pessoas sejam um peso até ao final dos seus dias e principalmente para a sociedade .

  8. Mário Ameida Costa disse:

    Por outras palavras , allerte-mos com mais profundidade o perigo de continuar-mos a ter este tipo de parasitas sociais .

  9. Mário Ameida Costa disse:

    Ex.mo Sr. João Bosco leal .
    Posso transcrever o seu texto , em Portugal ?
    Obrigado .

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